Café brasileiro: por que cada região produz grãos com características diferentes
Foto: Freepik

O Brasil lidera a produção mundial de café e construiu uma reputação que vai além do volume colhido. Nos últimos anos, o crescimento do mercado de cafés especiais colocou em evidência uma característica que faz do país um dos mais importantes produtores do mundo: a diversidade de regiões produtoras, cada uma com condições naturais capazes de influenciar diretamente a qualidade, o aroma e o sabor da bebida.
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Do clima das montanhas mineiras ao calor das áreas produtoras de conilon no Espírito Santo, o café brasileiro é resultado da combinação entre fatores naturais e do trabalho desenvolvido pelos cafeicultores. Essa diversidade faz com que grãos produzidos em estados diferentes apresentem perfis sensoriais distintos, mesmo quando pertencem à mesma espécie.
O que torna um café diferente do outro?
Boa parte dessa diferença está relacionada ao chamado terroir, termo utilizado para definir o conjunto de características ambientais e geográficas que influenciam o desenvolvimento da cultura. Entre os fatores estão o clima, o tipo de solo, a altitude e a topografia da região.
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Esses elementos interferem desde o crescimento das plantas até a maturação dos frutos. Em áreas de maior altitude, por exemplo, as temperaturas mais amenas costumam prolongar o desenvolvimento dos grãos, favorecendo a concentração de açúcares e a formação de sabores mais complexos. Já o solo fornece os nutrientes necessários para o desenvolvimento das lavouras, enquanto o regime de chuvas e as variações de temperatura influenciam diretamente a produtividade e a qualidade da colheita.
Além das condições naturais, as técnicas de cultivo desenvolvidas ao longo dos anos em cada região também ajudam a construir a identidade dos cafés brasileiros.
Quais estados lideram a produção?

Minas Gerais concentra a maior área destinada à produção de café no país, respondendo por 58,2% da área cultivada, com cerca de 1,1 milhão de hectares. Em seguida aparecem o Espírito Santo, com aproximadamente 393 mil hectares (20,6%), São Paulo, com 176 mil hectares (9,2%), e Bahia, com cerca de 98 mil hectares.
Juntos, esses quatro estados formam o principal eixo da cafeicultura brasileira e reúnem algumas das regiões mais conhecidas pela produção de cafés especiais.
Minas Gerais mantém a liderança nacional tanto na produção quanto nas exportações de café. O estado é reconhecido principalmente pelo cultivo do café arábica, favorecido pelo relevo montanhoso, pelas altitudes entre 600 e 1.200 metros e pelas estações bem definidas de chuva e seca. Entre suas principais regiões produtoras estão Sul de Minas, Mantiqueira de Minas, Cerrado Mineiro, Matas de Minas, Campo das Vertentes, Chapada de Minas, Montanhas de Minas e Norte e Noroeste de Minas.
No Espírito Santo, a cafeicultura está presente em praticamente todos os municípios, com exceção da capital, Vitória, e representa a principal atividade agrícola do estado. A produção é marcada pela diversidade entre o café arábica, cultivado em regiões mais altas e frias, e o conilon, predominante em áreas de menor altitude e temperaturas mais elevadas. A atividade também possui forte presença da agricultura familiar e responde por parcela significativa da economia capixaba.
São Paulo, que teve papel decisivo na expansão da cafeicultura brasileira entre os séculos XIX e XX, continua sendo um dos principais produtores do país. Atualmente, o estado se destaca pela produção de cafés especiais em regiões como Alta e Média Mogiana, Garça, Ourinhos, Avaré e Região de Pinhal, onde altitude, solos férteis e clima favorecem a produção de grãos de alta qualidade.
Na Bahia, a produção de café também vem crescendo nos últimos anos, impulsionada pela expansão das áreas cultivadas e pelos investimentos em tecnologia. O estado reúne tanto lavouras de arábica quanto de conilon e possui importantes polos produtores na Chapada Diamantina, Planalto de Vitória da Conquista, Serrana de Itiruçu/Brejões, Oeste da Bahia e Atlântico Baiano.
Além desses estados, outras regiões brasileiras também produzem cafés reconhecidos pela qualidade, como áreas do Paraná, Rondônia e Rio de Janeiro, ampliando ainda mais a diversidade da cafeicultura nacional.
O avanço dos cafés especiais também contribuiu para que uma parcela cada vez maior da produção de alta qualidade permanecesse no mercado interno. Se durante muitos anos os melhores lotes eram destinados principalmente à exportação, hoje o consumidor brasileiro encontra uma oferta mais ampla de cafés produzidos em diferentes regiões do país, permitindo conhecer as características que fazem do Brasil uma das maiores referências mundiais na produção de café.
Fonte: Grão Café
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