Incaper reúne indicadores para tornar a pecuária leiteira mais sustentável no Espírito Santo

Foto: Freepik

A sustentabilidade na pecuária leiteira vai além da preservação ambiental. Ela também envolve produtividade, sanidade do rebanho, bem-estar animal, gestão econômica e qualidade do leite. Com esse objetivo, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) desenvolveu o Currículo Mínimo de Sustentabilidade para a Pecuária Leiteira Capixaba, uma ferramenta que reúne 91 indicadores para orientar técnicos e produtores na avaliação das propriedades rurais.

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A proposta é permitir um diagnóstico do sistema de produção a partir de três eixos — econômico, social e ambiental — classificando cada indicador em nível crítico, intermediário ou desejado. Segundo o documento, a ferramenta foi criada para padronizar a avaliação das propriedades leiteiras capixabas e contribuir para a sustentabilidade, a eficiência produtiva e a adequação socioambiental das fazendas.

Entre os diversos aspectos avaliados, o material destaca práticas que podem influenciar diretamente a saúde do rebanho, a qualidade do leite e o desempenho econômico da atividade.

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Da ordenha ao bem-estar animal

Na área sanitária, o documento recomenda que o diagnóstico da mastite clínica seja feito antes de cada ordenha por meio do teste da caneca de fundo escuro. Também orienta a realização periódica de análises microbiológicas e, quando houver suspeita de resistência aos antibióticos, a utilização do antibiograma para definir o tratamento mais adequado. O respeito ao período de carência dos medicamentos também aparece entre as práticas consideradas desejáveis.

Para a mastite subclínica, a publicação indica o monitoramento mensal da contagem de células somáticas (CCS), a realização do teste CMT em vacas com CCS acima de 200 mil células por mililitro e a cultura microbiológica do quarto mamário afetado para identificar o agente causador da infecção.

Outro ponto abordado é a criação das bezerras. O currículo considera como prática desejável a remoção da bezerra da maternidade, seguida pela secagem, cura do umbigo com solução de iodo entre 7% e 10% ou clorexidina a 0,5% até 30 minutos após o nascimento, além da pesagem e identificação do animal.

O fornecimento de colostro também recebe atenção especial. O documento recomenda que a bezerra receba um volume equivalente a 10% do seu peso corporal em até duas horas após o nascimento. Além disso, orienta o controle da qualidade do colostro por meio de colostrômetro, com valores de imunoglobulina acima de 50 mg/mL, ou refratômetro Brix, com índice superior a 22%. Quando a mãe não produz colostro suficiente em quantidade ou qualidade, a recomendação é utilizar banco de colostro ou suplementos específicos.

Entre os indicadores de saúde das bezerras, o documento estabelece como nível desejável manter a ocorrência de diarreia abaixo de 25%, pneumonia abaixo de 10%, infecções umbilicais abaixo de 5% e tristeza parasitária bovina abaixo de 3%. A taxa de mortalidade de bezerras considerada adequada é inferior a 5%.

No eixo de bem-estar animal, o material destaca a importância do acesso permanente à água limpa e em quantidade suficiente. Como referência para o nível desejável, as propriedades devem garantir consumo mínimo de 60 litros de água por unidade animal por dia, disponibilidade de pelo menos 30 litros durante as horas mais quentes e bebedouros posicionados de forma que facilitem o acesso dos animais. Também são recomendados bebedouros próximos à saída da sala de ordenha e a manutenção da água e das estruturas sempre limpas.

O conforto térmico também integra a avaliação. O documento recomenda áreas de sombra entre 4 e 5 metros quadrados por animal, com altura mínima de 4 metros. Para propriedades com sombreamento natural, a publicação sugere a adoção de sistemas silvipastoris. Já nas salas de espera para ordenha, o nível desejável inclui ventiladores e sistema de aspersão para resfriamento das vacas antes da ordenha.

Segundo o Incaper, a proposta do currículo é servir como ferramenta prática para orientar a assistência técnica e apoiar os produtores na adoção de práticas que aumentem a eficiência da atividade leiteira, promovendo sistemas de produção mais sustentáveis no Espírito Santo.

Fonte: Incaper

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