Crédito ajuda a transformar propriedade rural no primeiro beijandário do Espírito Santo
Fotos: Julio Huber

Texto: Julio Huber e Bruno Faustino
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Na propriedade onde hoje funciona o Dom Douro Agroturismo, em Domingos Martins, na região de Pedra Azul, a história começou como tantas outras no campo: com uma família trabalhando na roça. Lorival Douro, de 36 anos, cresceu ligado à agricultura e, por cerca de três décadas, a produção de hortaliças foi a principal atividade da família.
A mudança começou durante a pandemia da Covid-19. A procura por morangos, produtos da região e experiências ao ar livre fez Lorival perceber que a propriedade poderia oferecer mais do que produção agrícola. Aos poucos, o sítio começou a receber visitantes e a agricultura foi dando espaço também ao agroturismo.
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Hoje, o Dom Douro oferece colheita de morangos, uma loja com produtos de fabricação própria, como geleias, licores e massas, além do Beijandário, espaço criado por Lorival para proporcionar aos visitantes uma experiência diferente e que se tornou no principal atrativo do empreendimento.

CRÉDITO – Essa transformação, no entanto, não aconteceu de uma hora para outra. Foi uma migração gradual, como define o próprio produtor. E, nesse processo, o acesso ao crédito teve papel importante.
“Empreender no agro é uma novidade a cada dia, é um desafio e é extremamente maravilhoso”, resume Lorival. Para ele, o crédito representa justamente a possibilidade de colocar em prática ideias que, muitas vezes, surgem antes de existir dinheiro suficiente para realizá-las.
“Para o produtor, o crédito é importante porque é um incentivo. Muitas vezes a gente tem a possibilidade de crescer, tem a possibilidade de produzir mais e melhor, mas não tem o recurso necessário na mão naquele momento para começar essa produção”, afirma.
Foi nesse momento da história que o Sicoob entrou de maneira mais direta no desenvolvimento do Dom Douro. Lorival é cooperado desde 2007 e recorreu à instituição quando decidiu investir nas primeiras estufas de morango que ajudariam a estruturar a nova fase da propriedade.
“O Sicoob entrou na história recente do sítio, quando nós criamos o Dom Douro, quando nós começamos com as primeiras estufas de morango. E aí veio o crédito do Sicoob para fazer esse investimento”, conta.
Mais do que o recurso para investir, Lorival destaca a relação próxima construída com a cooperativa. Para ele, a possibilidade de conversar diretamente com o gerente, resolver questões por telefone ou WhatsApp e ter uma relação mais pessoal faz diferença na rotina de quem precisa administrar uma propriedade rural e, ao mesmo tempo, um negócio turístico.
“Você tem esse contato pessoal, você tem o telefone do seu gerente, você tem o contato com as pessoas. Esse afeto, esse calor humano do Sicoob não tem igual”, enfatiza.
Sicoob apoia o crescimento do agroturismo regional

A experiência de Lorival ajuda a ilustrar um movimento que vem ganhando força na região de Pedra Azul, onde propriedades tradicionalmente voltadas à produção rural estão incorporando serviços, experiências e atividades ligadas ao turismo. Para Cleudimar Minete Peterle, a Cleo, gerente de Relacionamento e Negócios do Sicoob Sul-Serrano, produtores rurais e pequenos empreendedores estão entre os que mais procuram a cooperativa para viabilizar esse tipo de transformação.
Os investimentos podem envolver desde estufas e melhorias na produção até pousadas e estruturas voltadas ao atendimento de visitantes. Em 2025, segundo Cleudimar, foram liberados R$ 20 milhões em crédito rural, em um cenário de forte crescimento da região.
“O desenvolvimento acontece quando as pessoas têm condições de investir, inovar e profissionalizar seus negócios. O Sicoob contribui justamente criando essas oportunidades e mantendo os recursos circulando na própria região, fortalecendo toda a economia local”, afirma.
INOVAÇÃO – No Dom Douro, essa combinação aparece de forma concreta. O produtor continua ligado à terra, mas encontrou novas formas de gerar renda a partir dela. O morango deixou de ser apenas um produto agrícola e passou a fazer parte de uma experiência. A propriedade deixou de receber somente trabalhadores e passou a receber famílias, casais, gestantes, noivas e visitantes em busca de momentos para registrar.
A ideia de criar o primeiro beijandário do Espírito Santo surgiu da vontade de criar uma atração diferente, inspirada em espaços como os lavandários, mas utilizando a flor conhecida como beijo. A procura pelo local, segundo Lorival, superou as expectativas e transformou o espaço em cenário para ensaios fotográficos e registros de momentos especiais.
A história também mostra que o desenvolvimento de um empreendimento de agroturismo não depende de uma única ferramenta. Lorival destaca o apoio do Sebrae na construção da marca, dos rótulos e na estruturação do negócio. O crédito, por sua vez, foi um dos instrumentos que permitiram transformar planos em investimentos concretos.
Para o produtor, empreender é, acima de tudo, encontrar soluções. Foi assim que ele enxergou uma oportunidade durante a pandemia e transformou uma necessidade dos visitantes em uma nova atividade para a propriedade. “Empreender para mim é solucionar problemas que outras pessoas encontram”, define.
A trajetória do Dom Douro mostra, assim, como o campo pode ganhar novos significados quando produção rural, turismo e empreendedorismo caminham juntos. E, para que essa transformação aconteça, o acesso a recursos e a uma parceria próxima pode fazer diferença entre uma boa ideia permanecer no papel ou se tornar um negócio capaz de crescer. No caso de Lorival, o projeto está longe de terminar. “O projeto é enorme. Nos próximos 20 anos tem muita coisa que vocês vão ver”, adianta.
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