Prêmio Mulheres do Agro bate recorde de inscrições e reconhece produtoras e pesquisadora

Foto: Bruno Faustino

A 9ª edição do Prêmio Mulheres do Agro reconheceu, na quarta-feira (26), nove produtoras rurais e uma pesquisadora por iniciativas que unem produção, inovação e sustentabilidade no campo. A premiação, realizada em São Paulo, teve recorde de inscrições em 2026, com 394 candidaturas.

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Criado em 2018 pela Bayer e pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), o prêmio já reconheceu 85 mulheres ao longo das nove edições. A iniciativa busca dar visibilidade a produtoras e pesquisadoras que desenvolvem práticas voltadas à eficiência produtiva, conservação dos recursos naturais, saúde do solo e desenvolvimento das comunidades.

A participação feminina no setor também aparece em pesquisas. Um estudo realizado em 2025 pelo Instituto Quiddity em parceria com a Bayer apontou que 78% das produtoras rurais consideram a visibilidade de seu trabalho importante para ampliar a presença das mulheres na cadeia do agronegócio.

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Entre as vencedoras deste ano está Ana Karina Klinke, primeira colocada na categoria Pequena Propriedade. À frente da Estância Futurama, em Holambra (SP), ela transformou a propriedade familiar em referência em seleção e melhoramento genético, com atenção à relação entre os animais e o ambiente.

A produtora também adotou práticas de agricultura regenerativa, compostagem e conservação de nascentes. Na propriedade, soluções biológicas, inoculantes e probióticos passaram a substituir defensivos químicos sintéticos em algumas atividades. Fora da fazenda, Ana oferece consultoria e suporte técnico gratuito a pequenos produtores da região e participa de conselhos municipais ligados à arborização.

Na categoria Média Propriedade, a vencedora foi Kátia Helena Fenner Rodrigues, da Fazenda Varginha, em São Joaquim (SC). A propriedade mantém uma história familiar de mais de cem anos e hoje combina produção agrícola, pecuária e conservação ambiental.

Kátia trabalha com frutas que possuem Indicação Geográfica e com o extrativismo sustentável do pinhão, preservando áreas de araucárias nativas. Na pecuária, adotou protocolos de bem-estar animal e melhoramento genético. Ela também criou o projeto Mulheres Araucarianas, que deu origem à proposta do Selo Rosa, voltado à capacitação e ao apoio a trabalhadoras rurais catarinenses.

Na categoria Grande Propriedade, o primeiro lugar ficou com Aline Baldim Vick, economista e gestora da Fazenda Estância, em Pirassununga (SP). Depois de trabalhar no mercado financeiro, ela voltou para a propriedade da família e passou a conduzir um modelo de produção regenerativa em larga escala.

Entre as práticas adotadas estão a rotação de culturas de cobertura e o manejo feito de acordo com as características de cada área da fazenda. Segundo os dados apresentados pelo prêmio, a estratégia resultou em colheitas até 25% superiores à média regional e em uma pegada de carbono abaixo da média nacional no cultivo de grãos.

A propriedade também mantém áreas de preservação que servem de abrigo para espécies ameaçadas, como o cedro-rosa e o macaco-sauá. Aline ainda recebe visitantes para apresentar as práticas de agricultura regenerativa. Mais de 1.200 pessoas já passaram pela fazenda.

Na categoria Ciência e Pesquisa, a vencedora foi a bióloga Erika Valente de Medeiros, de Pernambuco. Doutora em Agronomia e professora titular da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE), ela desenvolve pesquisas nas áreas de microbiologia e bioquímica do solo.

Erika trabalha com temas como biochar, desertificação, bioeconomia e agricultura sustentável no semiárido. Ao longo da carreira, publicou mais de 200 artigos científicos e registrou sete patentes. Também coordena pesquisas para o desenvolvimento de bioinsumos e recuperação de áreas degradadas.

A categoria Ciência e Pesquisa teve ainda participação popular. Mais de 40 mil votos foram registrados na edição deste ano, ampliando a participação do público na escolha da vencedora.

Para Caroline Assalve, líder de Gestão Executiva da divisão agrícola da Bayer, o resultado da edição mostra a dimensão do trabalho desenvolvido pelas mulheres no setor.

“Conhecer de perto essas trajetórias mostra como as mulheres estão contribuindo para transformar o campo. Dar visibilidade a esse trabalho também ajuda a fortalecer novas referências para o setor”, afirmou.

A diretora executiva da ABAG, Gislaine Balbinot, também destacou as mudanças na participação feminina no agronegócio nos últimos anos.

“As histórias desta edição mostram essa transformação na prática. As mulheres estão presentes em diferentes áreas do agro e têm contribuído para melhorar a produção, a sustentabilidade e a vida das comunidades”, disse.

Em 2026, a premiação conta com apoio institucional da Andav, Fealq, Fatec Pompeia, Embrapa, Serasa Experian, Fundação Shunji Nishimura, Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável e Nestlé.

Veja a lista completa das premiadas em 2026:

Categoria – Pequena Propriedade:
1º lugar – Ana Karina Klinke – São Paulo
2º lugar – Roseilda Lima Duarte – São Paulo
3º lugar – Rosiana de Oliveira Pederiva Reis Almeida – Minas Gerais

Categoria – Média Propriedade:
1º lugar – Kátia Helena Fenner Rodrigues – Santa Catarina
2º lugar – Suzana MuterleViccini – Bahia
3º lugar – Sheilane Maria Rodrigues Magalhães – Ceará

Categoria – Grande Propriedade:
1º lugar – Aline Baldim Vick – São Paulo
2º lugar – Karina Santos Gontijo Seibt – Minas Gerais
3º lugar – Elisabete Kim Shih – Minas Gerais
Categoria – Ciência e Pesquisa: Erika Valente de Medeiros – Pernambuco

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