Fiscalização identifica desmatamento ilegal e aplica R$ 656 mil em multas no Espírito Santo

Foto: Divulgação/MPES

A fiscalização de áreas com suspeita de desmatamento ilegal resultou em R$ 656 mil em multas no Espírito Santo durante a Operação Mata Atlântica em Pé 2026. Ao todo, foram lavrados 84 autos de infração e 80,18 hectares acabaram embargados.

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As ações ocorreram entre os dias 10 e 21 de agosto nos municípios de Afonso Cláudio, Brejetuba e Laranja da Terra, na região Sudoeste Serrana. As equipes vistoriaram 97,23 hectares distribuídos em 98 pontos selecionados a partir de alertas de desmatamento identificados por sistemas de monitoramento.

A operação reúne órgãos ambientais e de fiscalização para verificar em campo áreas que apresentam indícios de retirada irregular de vegetação. No Espírito Santo, participaram do trabalho o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), a Polícia Militar Ambiental, o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), a Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) e o Núcleo de Operações e Transporte Aéreo da Secretaria da Casa Militar (Notaer).

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Os pontos vistoriados foram definidos principalmente com base em alertas registrados pelo MapBiomas e pelo sistema ES+. As ferramentas de monitoramento por satélite permitem localizar áreas onde há indícios de supressão de vegetação e orientar as equipes durante as fiscalizações.

A partir da análise das áreas em campo, os órgãos identificaram as irregularidades, aplicaram as sanções previstas e determinaram o embargo dos locais afetados. O Ministério Público também acompanhará os procedimentos decorrentes da operação para verificar a responsabilização dos envolvidos e as medidas necessárias para a recuperação das áreas degradadas.

Além da fiscalização relacionada à vegetação, a mobilização no Espírito Santo resultou em outras ocorrências ambientais. Uma ação realizada em parceria com o Iema levou à apreensão de 53 aves. Já a atuação conjunta com a Agerh resultou na lavratura de 16 autos relacionados à captação de água sem outorga.

Meta é reduzir desmatamento

A Operação Mata Atlântica em Pé é realizada anualmente para combater a retirada ilegal de vegetação e estimular a recuperação de áreas degradadas no bioma.

Em 2026, a mobilização também marcou os 20 anos da Lei da Mata Atlântica. Segundo dados apresentados pelo MPES, antes da legislação eram registrados, em média, cerca de 110 mil hectares de desmatamento por ano no bioma. Atualmente, a média está em aproximadamente 10 mil hectares anuais.

Para a promotora de Justiça Bruna Legora de Paula Fernandes, coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Defesa do Meio Ambiente do MPES, a redução demonstra a importância da legislação e da atuação dos órgãos de fiscalização.

“Ainda é muito, queremos chegar ao desmatamento zero, mas é só para compreender a importância dessa legislação e a importância dos órgãos que fazem essa legislação acontecer a cada dia”, afirmou.

Resultado nacional

Em todo o país, a Operação Mata Atlântica em Pé 2026 fiscalizou 1.520 alertas de desmatamento em 17 Estados abrangidos pelo bioma.

O balanço preliminar aponta 8.370,28 hectares de desmatamento ilegal identificados e aproximadamente R$ 100 milhões em multas aplicadas. Os números ainda podem ser atualizados com a consolidação das informações dos Estados participantes.

Além do Espírito Santo, participaram da operação Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.

A mobilização nacional é coordenada pela Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa) e pelo Ministério Público de Minas Gerais, com apoio da Fundação SOS Mata Atlântica.

Reconhecimento

A atuação realizada no Espírito Santo também recebeu reconhecimento nacional. O MPES e os órgãos ambientais envolvidos foram contemplados com o primeiro Prêmio Mata Atlântica em Pé, na categoria Fiscalização de Alertas de Desmatamento.

A promotora Bruna Legora recebeu ainda o prêmio na categoria Promotor Coordenador Estadual. A Polícia Militar Ambiental do Espírito Santo também foi reconhecida pela atuação nas operações realizadas nos últimos anos.

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