El Niño pode reduzir safra brasileira de soja em até 12 milhões de toneladas
Foto: Freepik

A ocorrência de um El Niño com intensidade semelhante à registrada em 2015 poderia provocar uma redução de até 12 milhões de toneladas na produção brasileira de soja, segundo estimativa apresentada pelo consultor Alexandre Mendonça de Barros, sócio em Agro Negócios na EY Brasil. A projeção foi apresentada durante videocast promovido pelo Banco do Brasil e pelo BB Seguros.
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A estimativa considera os ganhos de produtividade obtidos pela agricultura brasileira desde 2015, mas também leva em conta a redução no uso de tecnologias e fertilizantes nesta temporada. O efeito do fenômeno, no entanto, não seria uniforme entre as regiões produtoras, já que mudanças no regime de chuvas e nas temperaturas podem atingir as lavouras de maneiras diferentes.
Segundo Mendonça de Barros, o Sul do país apresenta maior exposição aos efeitos negativos do El Niño, enquanto áreas de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul tendem a apresentar menor risco. A distribuição regional das chuvas é um dos principais fatores que explicam as diferenças entre as regiões.
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O fenômeno climático é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e pode alterar os padrões de temperatura e precipitação em diferentes partes do mundo. No Brasil, os efeitos sobre a agricultura dependem da intensidade do evento e da localização das lavouras.
Impacto depende do clima durante o ciclo
Para a soja, alterações na disponibilidade de água podem afetar diferentes momentos do ciclo produtivo. Períodos de excesso ou falta de chuva podem prejudicar o desenvolvimento das plantas e comprometer o potencial produtivo das áreas cultivadas.
A possibilidade de perdas também ocorre em um cenário em que os produtores enfrentam decisões relacionadas ao nível de investimento nas lavouras. A menor utilização de fertilizantes e tecnologias considerada na projeção reduz parte da capacidade de compensação diante de condições climáticas desfavoráveis.
A comparação com 2015 serve como referência para dimensionar um cenário de estresse climático, mas não significa que uma perda de 12 milhões de toneladas esteja definida para a próxima safra. O resultado dependerá da intensidade do fenômeno, da distribuição das chuvas e das condições encontradas pelas lavouras ao longo do ciclo.
A soja é uma das principais culturas agrícolas do país e ocupa grande área do território brasileiro. Por isso, alterações relevantes na produção podem repercutir também sobre o mercado de grãos, exportações, preços e disponibilidade de matéria-prima para a indústria.
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