Após duas safras com produção elevada e um período de preços baixos, a redução da área destinada ao cultivo de feijão no Brasil começa a provocar efeitos no mercado. Com menos produto disponível, os preços pagos aos produtores voltaram a subir e já há reflexos para os consumidores.

No Paraná, um dos principais produtores do país, a saca de 60 quilos do feijão-carioca chegou a uma média de R$ 271,95 em julho, alta de 69,8% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O feijão-preto, cuja produção tem forte participação do Estado, também registrou valorização. O preço médio da saca passou de R$ 120 para R$ 192,77 em um ano, aumento de 60,4%.

A redução do plantio ocorreu depois de um período de baixa rentabilidade para os produtores. Com preços pouco atrativos nas safras anteriores, parte dos agricultores diminuiu a área destinada à cultura. O movimento acabou reduzindo a disponibilidade do produto no mercado. Com a oferta menor, os preços começaram a reagir, invertendo o cenário enfrentado pelos produtores anteriormente.

A valorização no campo também é acompanhada pela alta no varejo. Em Curitiba, o feijão-preto acumulou aumento de 7,8% em 12 meses, enquanto o feijão-carioca registrou altas superiores a 50% em algumas capitais. Além do preço recebido pelos produtores, os valores pagos pelos consumidores também são influenciados por custos de transporte, armazenamento e distribuição ao longo da cadeia.

A recuperação dos preços pode estimular os produtores a ampliar novamente a área cultivada na próxima safra. A decisão, porém, depende de fatores como o custo de produção, o preço das sementes e os riscos envolvidos no cultivo.

A procura por sementes ainda é considerada baixa, o que indica cautela entre os agricultores. Enquanto a produção não aumenta, a expectativa é de que os estoques permaneçam mais restritos, mantendo a pressão sobre os preços.

A evolução da área plantada nos próximos meses será um dos fatores que podem determinar o comportamento do mercado. Uma eventual expansão do cultivo tende a aumentar a oferta, enquanto a manutenção da área reduzida pode prolongar o cenário de preços elevados.