Ações contribuem para a valorização da mulher rural capixaba

Foto: Arquivo / Incaper

Quando o extensionista do Incaper bate à porta da propriedade rural, normalmente é recebido pela mulher. “Geralmente, é ela que fica em casa, né?”, respondeu um dos profissionais. “As mulheres apenas recebem o extensionista e ‘mandam chamar o marido’ para acompanhar a visita”, constatou a extensionista do Incaper, Alessandra Maria da Silva, em sua tese de doutorado.

Situações como esta soam corriqueiras e ocorrem sem que os envolvidos se deem conta do machismo embutido nas respostas. Mas esta realidade começa a mudar: iniciativas capitaneadas pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), pela Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e pelo próprio Governo do Estado, oferecem informações a homens e mulheres rurais capixabas.

As ações são integradas e ganham cada vez mais força. Um dos exemplos é o projeto “Elas no Campo e na Pesca”, que tem como diretriz o Plano Estadual de Políticas para as Mulheres do Espírito Santo (PEPMES) e compõe o Programa Agenda Mulher.

“O projeto segue linhas estruturadas de ações voltadas para a visibilidade e a valorização do trabalho das mulheres, fomento à autonomia econômica e financeira de grupos produtivos, consultorias, assistência técnica e extensão rural voltada à promoção da melhoria da qualidade e da agregação de valor aos produtos, apoio à formalização e ao desenvolvimento de empreendimentos geridos por mulheres e inserção de mulheres em políticas públicas, programas e projetos”, explicou a coordenadora de projetos da Seag, Patrícia Ferraz.

As ações e políticas públicas desenvolvidas preocupam-se em dar visibilidade e reconhecimento às mulheres rurais capixabas. “Hoje ainda é o homem que tem acesso às tecnologias, é o homem que tem acesso às informações. Estamos parando de fazer extensão rural para o produto e começamos a fazer extensão rural para a família, envolvendo a mulher rural, os filhos, a sucessão familiar”, diz a extensionista do Incaper.

Conscientes do longo tempo gasto no processo, o Incaper, a Seag e o Governo estão sensíveis a esta realidade. Tanto que está sendo organizado um treinamento. “Não adianta ter política pública se quem faz a mediação não está preparado. A maioria das instituições não está preparada, e nós estamos sendo pioneiros neste trabalho. A mediação feita pelos extensionistas é crucial para contribuir para a mudança, para a igualdade de gênero e o real desenvolvimento rural. Não existe desenvolvimento enquanto houver desigualdade. A expectativa é de que o treinamento, previsto para abril, consiga nivelar conhecimentos relacionados à questão de gênero com pelo menos 30 técnicos que seriam multiplicadores destas informações”, destacou Alessandra Maria de Souza.

QUEM É? – “A mulher rural capixaba é aquela que nasce na roça e começa a trabalhar desde os 7 anos fazendo todas as atividades que o homem faz: capina, desbrota, colhe… Ela tem dupla ou tripla jornada, mas não aparece. Não é reconhecida, não é valorizada e não tem acesso à renda que ela mesma ajudou a gerar”. A afirmação da extensionista do Incaper, Alessandra Maria da Silva, é forte, mas define de maneira geral o perfil da mulher rural capixaba.

A economista doméstico do Incaper de Anchieta, Cristiana Barbosa, destaca que o papel da mulher é fundamental para o desenvolvimento da agricultura familiar. “Historicamente, as mulheres desempenham papel imprescindível nas atividades e nas relações rurais. São aquelas que ressignificam saberes, conhecimentos e experiências que contribuem para melhorias da vida no campo. Elas estão presentes em todas as etapas das atividades rurais, sejam agrícolas e não agrícolas (produção, processamento e comercialização). Estão presentes nas organizações rurais, no cotidiano das comunidades onde residem. São atuantes nas atividades domésticas, da casa, dos cuidados com a família, com as filhas e filhos e também nas atividades tidas como de produção. Precisamos compreender que todas essas esferas são trabalho e, portanto, são produtivas, embora as atividades domésticas sejam invisíveis e não consideradas como produtivas”, diz.

“Na extensão rural, muitas vezes, esquecemos, de propiciar ações e momentos em nossa rotina de trabalho para evidenciar e valorizar o trabalho desenvolvido por mulheres agricultoras, pescadoras, ribeirinhas, quilombolas, e mulheres servidoras do Incaper. É necessário ter mecanismos para dar visibilidade ao trabalho de tantas mulheres que, em diferentes contextos, contribuem para e com o desenvolvimento rural capixaba”, acrescenta Cristian Barbosa.

CAMPANHA – O Incaper lançou nas redes sociais a campanha “O que deixa o seu Dia da Mulher mais feliz? ”. A ideia é receber manifestações de internautas, incentivando a participação do público que interage com o Instituto via Instagram, a fim de apresentar informações espontâneas e humanizadas.

O Instituto, em parceria com a Seag, também organiza uma roda de conversa para debater “O trabalho da mulher na agricultura capixaba: avanços e desafios”. O evento, voltado para servidores do Incaper, deve contar com a participação da vice-governadora do Estado, Jacqueline de Moraes. Na ocasião, será anunciada a primeira mulher a assumir a Diretoria técnica do Instituto.

A Seag também é parceira do Incaper na gravação de um vídeo que vai abordar de forma suscinta três temas ligados à mulher: desigualdade de gênero, Pronaf Mulher e Violência Doméstica. O vídeo estará disponível nas redes sociais.

Fonte: Incaper

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