Agronegócio e indústria podem viabilizar a implantação do 5G no Brasil

Marcos Ferrari, da SindiTelebrasil, mencionou as barreiras que dificultam a instalação do 5G no país, como a alta carga tributária e a infraestrutura deficiente

A tecnologia 5G pode revolucionar o mercado, uma vez que aumenta a velocidade de comunicação entre as “coisas” – máquinas, objetos e equipamentos – e reduz, de forma radical, o tempo de latência (diferença de tempo que um pacote de dados seja enviado de um ponto para o outro). Isso vai possibilitar, por exemplo, que um carro autônomo passe por uma avenida sem nenhuma intervenção humana.

Contudo, para viabilizar a implantação do 5G no Brasil, o agronegócio e a indústria serão importantes, assim como o setor de serviços. “Como a tecnologia vai além do consumidor final, porque permite maximizar a produtividade, poderá ser usada em fábricas, no campo, em serviços financeiros”, explicou Marcos Ferrari, presidente-executivo do SindiTelebrasil (Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviços Móvel Celular e Pessoal), durante a BW LIVE: Internet 5G em Telefonia Móvel, transmitida pelo @bwexpo no Instagram, nesta quarta-feira (29).

Nesse sentido, o 5G fomentará o surgimento de outros modelos de negócios no B2B porque a tecnologia apresenta possibilidades infinitas, como por exemplo, a maior eficiência nas residências e maximizar o deslocamento em vias urbanas. No caso da sustentabilidade ambiental, pode ajudar no controle da emissão de gases do efeito estufa, na melhoria do reuso e reciclagem de materiais, na diminuição da utilização de matérias-primas e recursos naturais.

Mesmo assim diante de tantos benefícios, no Brasil, Ferrari pondera que do ponto de vista econômico, vai demorar um pouco para essa tecnologia chegar e se consolidar. “De um modo geral, o mercado brasileiro representa um grande potencial, mas a desigualdade social é um entrave para a massificação do 5G”, disse.

Além dela, existem outras barreiras como a alta carga tributária, que chega a quase 50%, e a infraestrutura deficiente. “A média dos quinze países que mais acessam banda larga do mundo é de 10%. Se retirasse o Brasil dessa lista, a média seria muito menor. Essa é uma barreira para a massificação do serviço e a população mais carente é a mais prejudicada”, reforçou o presidente-executivo do SindiTelebrasil, que comentou sobre a falta de acesso de muitos jovens às aulas virtuais ministradas durante a pandemia por não terem uma boa internet ou por não poderem pagá-la.

No evento online da BW Expo, Summit e Digital 2020, Ferrari avaliou que a Internet das Coisas (IoT) é inviável do ponto de vista tributário porque seu custo é maior do que a média da receita de cada dispositivo. Em uma pesquisa encomendada pelo SindiTelebrasil, chegou-se à conclusão de que se houvesse uma redução dos tributos setoriais haveria uma perda de R$ 1,8 bilhão ao longo de três anos. Entretanto, o ganho em arrecadação seria de R$ 6 bilhões nesse período, devido ao aumento da produtividade.

Na questão da infraestrutura, uma preocupação de Ferrari são as antenas de celular, consideradas imprescindíveis para o 5G, uma vez que a cobertura de cada antena é menor nessa tecnologia ante ao 4G. “Em, São Paulo, por exemplo, não se licencia uma antena de celular há dois anos, sendo que o 5G precisa de cinco a dez vezes mais antenas do que o 4G. Além disso, no estado esse tipo de instalação é tratada como uma obra, quando na verdade, o setor evoluiu e as antenas estão cada vez menores”.

Durante a BW LIVE, o apresentador Vagner Barbosa, responsável pelo marketing da BW Expo, Summit e Digital 2020, perguntou à Ferrari sobre a possibilidade do aporte de recursos públicos no setor de telecomunicações para diminuir os gargalos de infraestrutura e ajudar a população mais vulnerável a ter acesso à banda larga seja fixa ou móvel. Ele respondeu que há recursos porque o segmento paga todo o ano o equivalente a 1% de sua receita operacional bruta para o  Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST), cujo acumulado chega a R$ 22 bilhões em valor histórico e R$ 34 bilhões em valor corrigido.

Em relação aos outros países, Ferrari disse que as nações que investem mais em tecnologia estão à frente do Brasil. A Alemanha, por exemplo, tem quase 50% da área coberta por 5G. A China também vem avançando nessa questão até porque a tributação para banda larga fixa ou móvel é zero.

“A mudança tecnológica que virá pela frente permitirá aumentar a capacidade econômica de produção. Mas, a absorção dessa produção vai depender de política pública. A possibilidade de as pessoas e empresas usufruírem desses benefícios tecnológicos cabe ao governo”, ponderou. “Em termos de tecnologia, nós temos a tradição de perder oportunidades de sermos pioneiros porque ainda há uma visão de que a competição não é boa. Porém, é ela que gera benefício ao consumidor e isso aconteceu na área de telecomunicações nos últimos anos”, finalizou Ferrari.

A íntegra da BW LIVE: Internet 5G em Telefonia Móvel está no Canal da Sobratema no Youtube.

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