Foto: Freepik
O agronegócio brasileiro empregou 28,4 milhões de pessoas no segundo trimestre de 2026, o maior número já registrado para esse período desde o início da série histórica, em 2012. O contingente cresceu 0,7% em relação ao mesmo trimestre de 2025 e correspondeu a 26% de toda a população ocupada no país.
Os dados são de pesquisas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), divulgadas em 16 de outubro.
O resultado acompanha a expansão do mercado de trabalho brasileiro. No segundo trimestre deste ano, a taxa de desocupação no país ficou em 5,4%, a menor já registrada para o período na série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).
Apesar do avanço anual, a participação do agronegócio no total de pessoas ocupadas ficou praticamente estável em relação ao segundo trimestre de 2025. Na comparação com os três primeiros meses de 2026, porém, houve recuo, de 26,3% para 26%.
Segmento primário puxa crescimento
Entre os quatro segmentos analisados, o avanço da ocupação foi impulsionado principalmente pelo segmento primário, que reúne atividades ligadas à produção agropecuária. O número de trabalhadores nessa área cresceu 2,7% na comparação anual.
Os agrosserviços também registraram aumento, de 1,1%. O movimento foi diferente nos segmentos de insumos agropecuários, que tiveram queda de 6,5%, e na agroindústria, com retração de 2,4%.
Os resultados mostram que o crescimento do emprego não ocorreu de maneira uniforme em toda a cadeia produtiva. Enquanto as atividades ligadas à produção no campo e aos serviços associados ao setor ampliaram a ocupação, os segmentos de fornecimento de insumos e de processamento industrial registraram redução.
Trabalhadores com carteira assinada são maioria
A pesquisa também identificou mudanças nas posições ocupadas pelos trabalhadores do agronegócio. Entre o segundo trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026, o número de empregadores cresceu 3,5%, enquanto o de trabalhadores por conta própria avançou 2,4%.
A quantidade de trabalhadores familiares auxiliares aumentou 1,2%, e a de empregados com carteira assinada teve alta de 0,5%. Já o grupo de empregados sem carteira assinada apresentou queda de 1,7%.
Mesmo com a retração entre os trabalhadores sem registro formal, os empregados com carteira assinada continuaram representando a maior parcela entre as categorias analisadas. Eram aproximadamente 9,88 milhões de pessoas, equivalentes a 34,8% dos ocupados no agronegócio no período.
Escolaridade e participação feminina
Os dados do Cepea/CNA também apontam a continuidade do aumento da escolaridade entre os trabalhadores do agronegócio. O levantamento, no entanto, não detalha no material divulgado a dimensão dessa mudança por nível de instrução.
Na divisão por gênero, a população ocupada masculina cresceu 0,6% em relação ao segundo trimestre de 2025, enquanto a feminina avançou 0,7%.
Segundo os pesquisadores, embora o crescimento relativo tenha sido ligeiramente maior entre as mulheres, homens e mulheres contribuíram para a expansão do número total de pessoas ocupadas no agronegócio brasileiro.
