Aquecimento do setor de logística no Brasil exige mais investimentos em transportes

Foto: Julio Huber

Em um cenário pós-pandêmico de reaquecimento da economia e aumento da produção e do consumo, os diversos setores da indústria almejam uma retomada que cubra os danos dos últimos dois anos perdidos. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil fechou em R$ 2,249 trilhões no primeiro trimestre de 2022, um crescimento de 1,7% quando comparado ao mesmo trimestre de 2021.

O advogado Cristiano José Barratto, especialista em Transportes e Logística, destaca que o setor de logística é um dos que mais cresce no Brasil, impulsionado principalmente pelo comércio eletrônico. A estimativa no país, de acordo com o relatório divulgado pela empresa de tecnologia financeira FIS, The Global Payments Report 2022, é que até 2025 o país quase dobre (95%) o volume de vendas pela internet.

Baratto reforça que o setor de logística está totalmente vinculado ao de transportes, que é um dos principais propulsores da economia brasileira. Porém, ele alerta que por mais que esses números pareçam animadores, o segundo semestre de 2022 exige cautela. Segundo ele, diversos fatores colaboram para o cuidado redobrado com os investimentos no setor, como a alta da inflação, resquícios da pandemia, a guerra na Ucrânia e as eleições no Brasil.

O advogado Cristiano José Barratto alerta para a necessidade de aumentar os investimentos no setor

A inflação afetou todos os setores da cadeia econômica, desde ajustes salariais, aumento dos combustíveis e de outros insumos que, diretamente ou indiretamente, impactaram o setor de transportes e logística. Somado a isso, a maior comercialização de produtos por comércio eletrônico vem exigindo um esforço das operadoras logísticas na tentativa de evitar repassar o aumento de custos para o cliente, optando muitas vezes por reduzir as margens de lucro.

“A elevação da taxa Selic acaba por exigir a suspensão de planos de expansão e revisar o plano de investimentos. Isso porque o custo dos financiamentos ou empréstimos para alavancar os negócios vai exigir maior esforço para quitação desses compromissos nos meses seguintes”, afirma Baratto.

O especialista prevê uma desaceleração do fenômeno da globalização da cadeia logística. Isso porque o modelo atual, segundo ele, dependente de insumos de outros países, mostrou-se frágil em cenários desfavoráveis ao comércio exterior. Um dos exemplos foi a crise sanitária provocada pela pandemia de Covid-19 e, mais recentemente, a guerra da Rússia contra a Ucrânia.

Os dois episódios evidenciaram a codependência entre os países na questão do fornecimento de matérias-primas e outros bens. Baratto afirma que, a partir de agora, a valorização dos produtos nacionais, dos acordos entre empresas locais e a busca por novos insumos irão reger essa nova forma de produção. Segundo ele, o período eleitoral também traz diversas incertezas para o setor de logística e transporte, isso porque os planos de investimento do Governo afetam diretamente a economia, assim como os gastos da indústria e a atração e o incentivo a outros investimentos.

Para o advogado, assim como outros segmentos econômicos, o setor de transportes e logística precisa perceber que existe um cenário seguro e de estabilidade para atrair investimentos maiores e mais arriscados a longo prazo.

Fonte: Estilo Editorial Comunicação

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