Aquicultura tem potencial de crescimento no Brasil em 2020

Julio Huber

Ontem (20) foi comemorado o Dia Nacional da Aquicultura. Na aquicultura, o cultivo ou a criação de organismos aquáticos (peixes, crustáceos, moluscos, algas) é realizado em espaços planejados e construídos adequadamente para a atividade e, geralmente, monitorados por pessoas capacitadas. Além de potencializar a produção de alimentos com qualidade e segurança, a atividade gera renda à população.

A aquicultura tem papel socioeconômico fundamental para o país, uma vez que influencia diretamente na geração de empregos e de renda, contribuindo para a meta de igualdade social. Além disso, a atividade possui normas técnicas estabelecidas, que compreendem cuidados e práticas de higiene, sanidade e manejo como monitoramento da qualidade da água, sustentabilidade e preservação ambiental, critérios de segurança, sanidade e qualidade dos alimentos. Isso tudo contribui muito para que os produtores possam trabalhar adequadamente e o setor possa crescer.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), autoridade em fornecer dados e informações seguras sobre a Pesca e a Aquicultura no mundo, os resultados de produção da aquicultura fazem dela a mais rápida das atividades agropecuárias, sendo capaz de alcançar facilmente o segundo dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

O último relatório da FAO, chamado “Situação da Pesca e Aquicultura no Mundo” (SOFIA, em inglês), de 2018, aponta que pesca e aquicultura juntas poderão produzir 201 milhões de toneladas até 2030, o que representa 18% a mais em relação a 2016.

O Presidente Executivo da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, informou que a maior concentração de produção de pescados está nas regiões sul e no sudeste, não só na produção, mas principalmente no consumo. O maior consumo per capta de peixe de cultivo do Brasil é na região nordeste, da tilápia produzida principalmente no São Francisco e no Parnaíba. A tilápia representa 55% de todo o cultivo do Brasil atualmente.

Ao analisar 2019, o presidente da Peixe BR disse que o setor enfrentou dificuldades como as demais proteínas. “Foi o ano mais atípico para o peixe de cultivo. O primeiro semestre foi um período de oferta grande de peixe no mercado, consequentemente houve uma redução de preços para o produtor, que reduziu o povoamento para o segundo semestre, que naturalmente diminuiu a oferta do produto no mercado, que recuperou o preço para o produtor. Em tese, foi um primeiro semestre bom para o consumidor e no segundo semestre bom para o produtor”, destacou.

PRODUÇÃO – No Brasil, há dois grupos de peixes produzidos: a tilápia, que é mais de 55% de tudo que é cultivado no Brasil; e o tambaqui, que é cultivado em Rondônia, Amazonas, Roraima e Mato Grosso. “Nos últimos anos registrou-se um crescimento acima de 10% no caso da tilápia. Já o tambaqui cresceu 3% ao ano. Isto se explica pelo motivo que a tilapia é consumida nas regiões sul e sudeste, onde o poder aquisitivo é maior, e o tambaqui é consumido na região norte, onde o IDH e o poder aquisitivo é inferior”, disse.

CONSUMO – A Peixe BR possui dois trabalhos voltados ao aumento do consumo do peixe. Um é voltado para o mercado interno e outro junto ao mercado externo. “Lançamos a campanha #comamaispeixe, porque o consumo per capta tem crescimento em médica 10% ao ano, que é considerado bom. Nossa meta é elevar o consumo de quatro quilos por habitante/ano para dez quilos por habitante/ano, em sete anos”, informou. A média mundial de consumo de peixe per capita é de 20 quilos por habitante.

PROJEÇÃO PARA 2020 – Francisco Medeiro afirmou, em entrevista ao Terra Viva, que o cenário de 2020 está começando de maneira positiva porque o produtor está sendo melhor remunerado, e há exportações respondendo melhor do que aconteceu em 2018.

“A campanha #comamaispeixe está sendo trabalhado no mercado interno, conscientizando que consumir principalmente peixe de cultivo é mais barato e é fácil de fazer. Além disso, o resultado da indústria de processamento do pescado começa a receber as máquinas automáticas de filetar tilápia, que vai promover uma mudança radical no nosso negócio. É automação do sistema de processamento e da indústria brasileira”, concluiu.

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