Café conilon ganha três novas cultivares com foco em produtividade e adaptação climática
Foto: Arquivo/Incaper

A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) conquistou o registro de três novas cultivares de café conilon junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Denominadas Caxixe, Aimorés e Leve L80, as variedades são resultado de pesquisas desenvolvidas pela instituição com foco no melhoramento genético da espécie Coffea canephora e reforçam o protagonismo da universidade na inovação voltada à cafeicultura brasileira.
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Com as novas aprovações, a Ufes passa a contabilizar dez cultivares registradas no Registro Nacional de Cultivares (RNC), consolidando-se como a única instituição de ensino superior do país a coordenar registros de variedades de café junto ao órgão federal.
Os estudos são conduzidos pelo professor Fábio Luiz Partelli, ligado aos programas de pós-graduação em Agricultura Tropical e em Genética e Melhoramento, no Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes), em São Mateus.
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Cada uma das novas cultivares apresenta características específicas voltadas às demandas da produção cafeeira. A cultivar Caxixe se destaca pela adaptação a ambientes de temperaturas mais baixas, ampliando as possibilidades de cultivo do conilon em áreas de maior altitude. Já a Aimorés foi desenvolvida para atender às condições da região leste de Minas Gerais, enquanto a Leve L80 chama atenção pelo teor reduzido de cafeína.
O registro mais recente foi o da cultivar Caxixe, obtido neste mês de junho. O material foi desenvolvido a partir da seleção de genótipos adaptados a temperaturas mais amenas em experimentos realizados na comunidade de Alto Caxixe, em Venda Nova do Imigrante, região situada a cerca de 1.100 metros de altitude. O projeto contou com a participação do Grupo Khas e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes).
As cultivares Aimorés e Leve L80 tiveram seus registros aprovados em maio. No caso da Aimorés, os testes foram conduzidos no município mineiro que dá nome à variedade, em parceria com produtores locais e com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).
Conilon com menos cafeína abre novas oportunidades
Entre as novidades, a Leve L80 se destaca por apresentar cerca de 30% menos cafeína em comparação à média dos cafés conilon tradicionais. Com aproximadamente 1,33 grama de cafeína a cada 100 gramas de grãos, a variedade se aproxima dos níveis encontrados em cafés arábica.
Segundo os pesquisadores, a característica pode abrir novas oportunidades comerciais para o setor, atendendo consumidores que buscam bebidas com menor teor de cafeína sem abrir mão das características do café conilon.
O desenvolvimento da Leve L80 contou com parceria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e apoio da Fapes.
Além do potencial produtivo, os projetos contribuem para a formação de novos profissionais e pesquisadores. Os estudos geram trabalhos científicos publicados em periódicos nacionais e internacionais e envolvem estudantes de graduação, mestrado e doutorado.
A expectativa da equipe é ampliar ainda mais o portfólio de cultivares nos próximos meses. A Ufes já trabalha no desenvolvimento de novas variedades híbridas e de plantas de porte elevado adaptadas às condições do Espírito Santo e da Bahia.
Os resultados dessas pesquisas deverão ser apresentados durante a 15ª edição do Simpósio do Produtor de Conilon, programada para novembro deste ano, em São Mateus.
Fonte: UFES
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