Cafés brasileiros ficam fora de novas tarifas dos Estados Unidos
Foto: Freepik

O café brasileiro continuará entrando no mercado dos Estados Unidos sem a incidência das novas tarifas anunciadas pelo governo norte-americano. A decisão, divulgada pelo United States Trade Representative (USTR), garante que o produto permaneça na lista de isenções das investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, afastando a possibilidade de uma tributação que poderia chegar a 37,5%.
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A medida beneficia todas as categorias de café exportadas pelo Brasil e foi comemorada pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Segundo a entidade, o resultado é consequência de um trabalho conjunto desenvolvido ao longo de mais de um ano entre representantes da cafeicultura brasileira e do setor cafeeiro norte-americano.
De acordo com o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, a articulação envolveu mais de cem reuniões com autoridades dos Departamentos de Comércio, Estado e Agricultura dos Estados Unidos, além do próprio USTR. O trabalho foi realizado em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e a National Coffee Association (NCA).
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“Apresentamos informações técnicas e sem viés político sobre a importância do café para consumidores, indústria e economia dos Estados Unidos. Esse diálogo permitiu que as autoridades americanas compreendessem a relevância da cadeia produtiva brasileira, resultando na manutenção da isenção tarifária”, destacou Marcos Matos.
Segundo o Cecafé, a decisão preserva um dos principais mercados para o café brasileiro. Atualmente, os Estados Unidos importam, em média, cerca de seis milhões de sacas de café do Brasil por ano, movimentando aproximadamente US$ 2 bilhões em receitas para o país.
Durante as negociações, outro ponto apresentado às autoridades norte-americanas foi o compromisso da cafeicultura brasileira com a legislação trabalhista. O setor reuniu dados mostrando que, nos últimos anos, foram realizadas mais de 58 mil fiscalizações no campo e que apenas cerca de 1% delas registraram problemas relacionados aos direitos humanos.
O Cecafé também apresentou iniciativas desenvolvidas em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego, como o Pacto pelo Trabalho Decente na Cafeicultura e o Programa Trabalho Sustentável. As ações incluem capacitação de técnicos, orientação aos produtores e incentivo à formalização da mão de obra nas propriedades rurais.
Marcos Matos ressaltou que essas informações foram fundamentais para a análise conduzida pelo governo americano. “As justificativas utilizadas pelo USTR para manter os cafés brasileiros entre os produtos isentos coincidem com os argumentos técnicos apresentados durante todo o processo”, afirmou.
Para o diretor-geral da entidade, a atuação da National Coffee Association também teve papel importante na defesa do café brasileiro, reforçando junto às autoridades dos Estados Unidos a importância da parceria comercial entre os dois países e o cumprimento das normas trabalhistas pelo setor.
Com a manutenção da isenção, o Cecafé avalia que o comércio entre Brasil e Estados Unidos segue preservado, garantindo competitividade ao café nacional no principal mercado consumidor do mundo e fortalecendo a relação entre os dois maiores protagonistas da cadeia global do produto.
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