Cecafé e governo federal articulam resposta a pressões externas e buscam reforçar segurança para exportação de café
Foto: Divulgação/MTE

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) avançaram, nesta quarta-feira (23), em uma articulação conjunta para fortalecer a segurança jurídica e comercial das exportações brasileiras de café. O encontro ocorreu em Brasília e reuniu representantes de diferentes áreas do governo, incluindo técnicos ligados ao comércio exterior e à diplomacia.
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A reunião teve como pano de fundo o aumento das preocupações no mercado internacional, especialmente nos Estados Unidos, diante de mecanismos como as Withhold Release Orders (WROs), medidas que podem barrar produtos suspeitos de envolvimento com trabalho forçado, e das investigações conduzidas com base na legislação comercial americana.
Segundo o Cecafé, há um ambiente de maior cautela entre importadores norte-americanos, influenciado tanto pelo cenário político quanto por denúncias recentes que questionam práticas trabalhistas no campo brasileiro. Uma dessas denúncias, apresentada em 2025, apontou de forma generalizada a existência de trabalho forçado na cafeicultura, avaliação que o setor considera equivocada.
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Esse contexto acendeu o alerta entre exportadores, que temem a ampliação de restrições comerciais com base em casos isolados. A preocupação é que ocorrências pontuais, já identificadas e tratadas pelos órgãos de fiscalização, sejam interpretadas como padrão produtivo, afetando regiões inteiras e comprometendo o fluxo de exportações.
Diante disso, governo e setor privado discutem estratégias para aprimorar a comunicação internacional, com base em dados oficiais e informações contextualizadas sobre as condições de produção no Brasil. A proposta inclui a elaboração de materiais técnicos que possam ser compartilhados com compradores e entidades estrangeiras, reforçando a transparência e a rastreabilidade da cadeia produtiva.
Durante o encontro, também foi destacada a importância de iniciativas já em andamento, como programas voltados à promoção do trabalho decente no campo, que têm ampliado o diálogo entre empregadores, trabalhadores e autoridades.
Dados apresentados pelo Cecafé indicam que a cafeicultura está entre as atividades rurais mais fiscalizadas do país. Em estados líderes na produção, como Minas Gerais e Espírito Santo, mais da metade das inspeções no meio rural tem foco no setor cafeeiro. Ainda de acordo com essas informações, irregularidades relacionadas a violações de direitos trabalhistas aparecem em uma parcela reduzida das fiscalizações e são tratadas de forma individualizada, com aplicação de sanções e medidas corretivas.
Outro ponto abordado foi o avanço de regulamentações internacionais, como as novas regras da União Europeia para produtos associados ao trabalho forçado, que devem entrar plenamente em vigor nos próximos anos. O cenário reforça a necessidade de adaptação e de alinhamento às exigências globais.
Como encaminhamento, Cecafé e governo federal pretendem ampliar a cooperação entre ministérios e intensificar o diálogo com autoridades e compradores estrangeiros. A expectativa é que a atuação coordenada ajude a mitigar riscos comerciais, fortalecer a imagem do café brasileiro no exterior e dar mais previsibilidade aos exportadores.
Fonte:Cecafé
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