Covid-19 muda realidade do segmento de cafés especiais

Microtorrefações e cafeterias independentes sofrem impacto médio de 76% nas vendas. Parcerias e comércio on-line se apresentam como alternativas para salvar os negócios

A recomendação para isolamento durante a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) tem impactado diretamente o segmento dos cafés especiais, composto, em sua maioria, por micro e pequenas empresas independentes nas áreas de torrefação e cafeterias.
 
Um levantamento realizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) com seus membros dessas categorias aponta que os associados tiveram queda média de 76,25% na venda do produto, com os mais impactados sofrendo redução de até 100% em seus negócios.
 
“O nicho dos cafés de excelência é formado majoritariamente por pequenas cafeterias especializadas e microtorrefações. O fechamento das cafeterias provocou um estrago devastador nesses negócios e também respingou nas torrefações, que fornecem café a elas. Muitos deram férias, utilizam-se da redução de jornada e salários concedida pela MP 936 ou mesmo demitiram seus funcionários”, revela Vanusia Nogueira, diretora da BSCA.
 
Segundo o levantamento da entidade, o momento atual dos micro e pequenos empresários de cafeterias e torrefações associados também poderá refletir nos produtores. Setenta por cento dos consultados informou que não terão como comprar os cafés da nova safra, que começam a chegar a partir de maio, caso seus negócios permaneçam no patamar que estão devido à pandemia da Covid-19.
 
“Nosso segmento não trabalha com grandes estoques de café, mas esses empresários terão dificuldade para fazer novas aquisições por causa dessa redução nas suas vendas. Por essa característica mais especial, de pequenos e voltados à excelência dos cafés, muitos já se preocupam com o futuro. Eles projetam entre um e quatro meses de sobrevivência no mercado caso o cenário não comece a voltar à normalidade”, informa a diretora da BSCA.
 
O QUE FAZER? – Diante da dificuldade que enfrentam, muitos desses micro e pequenos empresários veem nas vendas on-line uma alternativa para ajudar a sustentar seus negócios. Em média, os associados consultados reportaram crescimento de 49% em sua comercialização através da internet, havendo relatos de empresas que não registraram diferença no volume negociado e outras que mais do que dobraram os negócios através da rede. “Esse impulso da internet não cobre ou compensa as perdas ocasionadas pelo fechamento das lojas físicas, mas permite uma sobrevida a pequenas cafeterias e microtorrefações”, pondera Vanusia.
 
Com o objetivo de auxiliar seus associados microtorrefadores e cafeterias independentes a impulsionar suas vendas on-line, a BSCA preparou a lista com os contatos de e-commerce e redes sociais para que os interessados possam contatá-los e solicitar cafés especiais (confira aqui).
 
“Sabemos da dificuldade financeira que grande parte da população enfrenta, mas também conhecemos o amor do brasileiro por café. Aos que puderem aliar essa paixão ao consumo da bebida, temos a satisfação de disponibilizar os contatos de nossos associados para que possam receber esse apoio da nossa população”, conclui a diretora.
 
SOLIDARIEDADE E CRIATIVIDADE – Em tempos em que o essencial é ficar em casa para os que podem, seguindo a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) devido à pandemia do novo coronavírus, produtores, torrefações e cafeterias enfrentam a dificuldade de voltar a se reconectar. Nesse cenário, o brasileiro demonstra seu lado solidário e criativo e desenvolve algumas iniciativas para possibilitar a conexão e a sobrevivência dos cafeicultores e empresários do nicho de cafés especiais.
 
Essas ações se dão em forma de parcerias, que desencadearam, por exemplo, o “Grão Coletivo”. Esse projeto surgiu com um grupo de cafeterias discutindo ações de contingência diante da crise causada pela pandemia. Dessas reuniões, realizadas em ambientes virtuais, emergiram ideias que, colocadas em prática, buscam garantir a sobrevivência de micro e pequenas empresas. Foi então que se optou por concentrar esses esforços em uma plataforma única de divulgação.
 
“O objetivo é divulgar micro e pequenos negócios, em especial cafeterias, suas ações, promoções e trabalho e, principalmente, incentivar o consumo de cafés especiais, a fim de salvar e reestabelecer o fluxo de caixa dos estabelecimentos diretamente impactados pela crise”, explica Giuliana Bastos, idealizadora do projeto, que conta com cerca de 20 empresários de cafeterias e microtorrefações trabalhando de maneira voluntária pelo coletivo. “São empresas de 10 Estados do Brasil, de mais de 30 cidades, e estamos em busca de apoio da iniciativa privada para ampliarmos os projetos”, completa.
 
Como atividade mais prática, desenvolveu-se a ação “Tem que Ter Café – TQT”, realizada pela torrefadora Isso é Café, associada da BSCA. Nesse projeto, cafeterias parceiras recebem o lucro da venda de pacotes de cafés que são criados exclusivamente para cada uma delas.
 
“O resultado nos surpreendeu. Tem ajudado a torrar o nosso estoque e, assim, pagar os nossos funcionários e produtores fornecedores. Além disso, repassamos todo o lucro desse café para as cafeterias parceiras para que tenham ingresso de recursos nesse momento de portas fechadas”, comenta Felipe Croce, proprietário da Isso é Café.
 
Outra iniciativa é a “Cafeterias Vivas”, desenvolvida pela loja virtual Caféstore em parceria com a revista Espresso. Através da ação, as marcas que não fazem parte dessa plataforma podem colocar seus cafés a venda nela, fugindo do processo burocrático e dos gastos que teriam ao criar seu próprio site ou se cadastrar em algum aplicativo de entrega, além de se beneficiar do alcance que a loja on-line possui em todo o Brasil.
 
“Queremos contribuir nesse momento de grande desafio para que cafeterias e marcas de café tenham acesso a uma solução rápida no e-commerce para manter rodando parte da sua operação, além de levar os cafés para todo o Brasil”, comenta Caio Fontes, cofundador da Caféstore.
 
A criatividade solidária também vem ocorrendo em lives nas redes sociais, como o exemplo do movimento #vivacafe. Para ajudar as cafeterias, essa iniciativa realiza transmissões para trazer informações e conteúdo relevante ao negócio. A ideia é informar, instruir e educar sobre negócios, cenário atual, ações com clientes e colaboradores, saúde mental e financeira.
 
Para isso, são convidados profissionais de referência para abordar os temas mais urgentes e debatê-los. Em seu perfil no Instagram (@vivacafe.br), a iniciativa reúne executivos do varejo, empreendedores, consultores, donos de cafeterias, torrefação, produtores, baristas e consumidores apaixonados por café que, juntos, buscam soluções para o setor superar a crise.

Fonte: BSCA

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