Covid-19: setor leiteiro pode sofrer menos, afirma pesquisador da Embrapa

O Brasil leva vantagens sobre outros países produtores, como Austrália, Nova Zelândia e Uruguai, por ter uma grande população e disponibilidade de insumos produtivos

Quando a pecuária de leite no Brasil ensaiava uma ligeira recuperação, surgiu o novo coronavírus. As perspectivas para o setor, segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Glauco Carvalho, não são muito diferentes do resto da economia. “É difícil prever o que irá acontecer pois não sabemos nem quanto tempo deve durar esse contexto, mas a expectativa é de retração”, afirma.

O setor vinha sofrendo desde 2013 com o cenário econômico ruim. A produção brasileira ficou praticamente de lado nos últimos anos e 2020 iniciou com baixo crescimento devido à seca na Região Sul do País.”Começamos agora a entressafra, que prometia melhores ganhos para os produtores, mas toda a cadeia produtiva terá que se ajustar ao novo cenário”, diz Carvalho.

Entre os consumidores, o efeito imediato da crise, desde que a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a pandemia, foi de correria às padarias e supermercados. É o que Carvalho chama de “efeito pânico”, com as pessoas comprando produtos estocáveis, como o leite UHT e leite em pó. Mas na medida em que a população percebeu que o abastecimento não seria comprometido, as compras voltaram ao normal. O que preocupa Carvalho é um terceira onda: a queda no poder aquisitivo da população, que tem efeito direto no consumo de produtos lácteos.

Na visão de Carvalho, isso pode ser muito prejudicial para o setor e terá como consequência uma reorganização da cadeia, com a redução do número de produtores e laticínios maiores absorvendo os menores. “Haverá uma maior concentração”, explica, “produtores podem sair do mercado, com os mais estabilizados ocupando o espaço deixado, o que já vem ocorrendo de forma natural nas últimas décadas, mas que deve se intensificar”, reafirma.

O mercado global também passará por sensíveis mudanças e grandes exportadores como Austrália, Nova Zelândia e Uruguai podem sofrer importantes impactos com o recuo do comércio. Existem riscos de revés na globalização e abertura de mercados. Todos estão olhando para dentro neste momento e a economia mundial pode encolher. Neste aspecto, o Brasil tem suas vantagens, por ter uma grande população e disponibilidade de insumos produtivos.

Se há algo menos negativo na pandemia é que a indústria de alimentos sofre menos, já que não pode haver um lockdown na produção agrícola (as pessoas precisam se alimentar). Houve também uma redução no preço de alguns insumos como o milho, na última semana, e do farelo de soja, mas ainda seguem em valores historicamente altos.

O recado final do pesquisador aos produtores é que eles cortem custos. “Sempre há gorduras para cortar”, ressalta. A pecuária de leite tem como característica uma recuperação lenta. O rebanho que for reduzido hoje para se adaptar à nova realidade de mercado pode demorar até quatro anos para ser recomposto. “Cautela, organização e cuidados com a própria saúde”, é o que recomenda Carvalho.

Fonte: Embrapa

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