Crédito rural mais caro reflete inadimplência, clima e baixa cobertura do seguro, aponta setor
Foto: Freepik

O custo do crédito rural vai além da taxa básica de juros. Segundo representantes do setor financeiro e do agronegócio, fatores como inadimplência, renegociação de dívidas e perdas provocadas pelo clima têm elevado o risco das operações e contribuído para encarecer os financiamentos destinados aos produtores.
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Durante o evento Diálogo Setorial: Seguros, Crédito e Agronegócio, realizado em Brasília, o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Dyogo Oliveira, afirmou que esses fatores acabam sendo incorporados às taxas cobradas pelo sistema financeiro. De acordo com ele, o modelo atual faz com que muitos produtores permaneçam por anos renegociando débitos após sucessivas perdas de safra, criando um ciclo de endividamento que aumenta a percepção de risco por parte das instituições financeiras.
Na avaliação apresentada, esse cenário também está relacionado à baixa cobertura do seguro rural no país. Enquanto o crédito destinado ao agronegócio movimenta centenas de bilhões de reais por meio do Plano Safra, os recursos voltados ao seguro permanecem próximos de R$ 1 bilhão. Como consequência, produtores que enfrentam perdas acabam recorrendo à renegociação de financiamentos em vez de contar com indenizações do seguro.
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Os dados apresentados durante o encontro mostram uma redução significativa da área segurada no Brasil. Em 2021, aproximadamente 13,7 milhões de hectares estavam protegidos por seguro rural. Em 2025, esse número caiu para cerca de 3,2 milhões de hectares.
Outro tema debatido foi a dinâmica da produção agrícola brasileira. O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Ingo Plöger, destacou que o setor opera com fluxo contínuo de produção, em que uma safra sucede rapidamente a outra, tornando a atividade mais vulnerável a problemas climáticos, logísticos e financeiros.
Além do aumento dos custos do crédito tradicional, representantes do setor observaram mudanças nas formas de financiamento do agronegócio. Embora o Plano Safra continue sendo uma das principais fontes de recursos — com cerca de R$ 516 bilhões destinados à safra 2025/26, incluindo R$ 101 bilhões para investimentos —, algumas linhas apresentaram retração.
Até fevereiro, os financiamentos para investimentos rurais recuaram 20%. No programa Moderfrota, voltado à aquisição de máquinas agrícolas, a queda chegou a 49%, passando de R$ 6,85 bilhões para R$ 3,48 bilhões.
Ao mesmo tempo, instrumentos privados ganharam espaço. As contratações por meio da Cédula de Produto Rural (CPR) alcançaram R$ 163,4 bilhões, registrando crescimento de 39% em relação ao período anterior. Segundo representantes das instituições financeiras, esse movimento indica que parte do financiamento do agronegócio está migrando para operações estruturadas no mercado de capitais, incluindo Fiagros e outros mecanismos privados.
Apesar dessa diversificação, especialistas alertam que a ampliação do crédito sem uma cobertura mais ampla de seguro rural mantém elevado o risco financeiro do setor, especialmente diante de eventos climáticos que possam comprometer a produção.
Fonte: CNseg
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