El Niño ganha força no Pacífico e pode atingir intensidade muito forte

O El Niño 2026/2027 já apresenta intensidade considerada forte e pode ganhar ainda mais força nos próximos meses. A temperatura das águas do Pacífico Equatorial segue acima da média, enquanto os principais indicadores usados para confirmar o fenômeno continuam presentes.

A atualização mais recente da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), divulgada em 10 de agosto, aponta que a região central do Pacífico Equatorial, conhecida como Niño 3.4, registrou temperatura 1,8°C acima da média entre 15 de julho e 5 de agosto.

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Esse valor já caracteriza um El Niño forte. Para que o fenômeno seja classificado como muito forte, a anomalia de temperatura precisa atingir 2°C ou mais. As projeções atuais aumentam a possibilidade de que esse patamar seja alcançado durante os próximos meses.

Os dados também mostram que o aquecimento não está restrito à região do Niño 3.4. No mesmo período, a anomalia chegou a 2,4°C na região Niño 3 e a 3,3°C na Niño 1+2, área próxima às costas do Peru e do Equador. No Niño 4, a elevação foi de 0,3°C.

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Imagem da notícia El Niño já está forte e deve se intensificar nos próximos meses
Anomalia da temperatura superficial dos oceanos em 9/8/2026. A mancha em vermelho escuro que se prolonga pela costa do Peru e do Equador, no Pacífico Equatorial, indica que a água do mar está muito quente e é um dos sinais da ocorrência do fenômeno El Niño. (Fonte: NOAA)

Além do aumento da temperatura do oceano, outros sinais associados ao fenômeno permanecem ativos. Entre eles estão alterações nos ventos alísios e a mudança na distribuição das áreas de chuva sobre o Pacífico Equatorial. Em condições sem El Niño, a maior concentração dessas chuvas costuma ocorrer próxima à Indonésia.

No Brasil, os primeiros efeitos do fenômeno começaram a ser observados em julho e podem continuar ao longo dos próximos meses. A atuação do El Niño pode alterar os padrões de temperatura e chuva em diferentes regiões do país, tornando o acompanhamento das condições do oceano importante para a previsão climática.

A possibilidade de um evento muito forte também ganhou espaço nas projeções da NOAA. Uma análise divulgada no início de agosto apontou 81% de probabilidade de que o El Niño 2026/2027 alcance intensidade muito forte. O período de maior aquecimento é esperado entre a primavera e o início do verão.

Outro fator que chama atenção dos meteorologistas é a duração prevista do fenômeno. As projeções indicam que as condições associadas ao El Niño podem permanecer durante toda a primavera e avançar pelo verão de 2026/2027, com possíveis efeitos sobre o clima até o início do outono de 2027.

O fenômeno já está entre os mais intensos observados nas últimas décadas e existe a possibilidade de que o episódio de 2026/2027 esteja entre os mais fortes desde 1950. A confirmação de novos recordes, porém, dependerá da evolução das temperaturas do Pacífico e do acompanhamento dos indicadores nos próximos meses.

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