Frango, ovos e pescados preocupam agro capixaba após novas tarifas dos Estados Unidos
Foto: Mapa

O anúncio de uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos trouxe efeitos diferentes para o agronegócio do Espírito Santo. Enquanto cadeias estratégicas como café, pimenta-do-reino, gengibre, mamão, carne bovina e celulose ficaram de fora da cobrança, setores como avicultura e parte da pesca seguem preocupados com o aumento dos custos para acessar o mercado norte-americano.
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A medida entrou em vigor nesta sexta-feira (24) e faz parte de um pacote que alcança 60 economias. Ela é independente da sobretaxa de 25% anunciada anteriormente para produtos brasileiros. Com isso, mercadorias que não foram incluídas nas listas de exceção podem passar a enfrentar uma carga adicional de até 37,5%.
Entre os produtos preservados das duas tarifas estão todas as categorias de café, incluindo o grão verde, torrado, descafeinado, solúvel e demais preparações, além da pimenta-do-reino, do gengibre, do mamão, da carne bovina e da celulose, itens de destaque na pauta de exportações do Espírito Santo.
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O secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli, afirma que a exclusão desses produtos reduz parte dos impactos sobre a economia capixaba, mas ressalta que a preocupação permanece para outras cadeias produtivas. “É positivo que produtos estratégicos para o Espírito Santo, como café, celulose, pimenta-do-reino, gengibre, mamão e carne bovina, tenham sido preservados. São cadeias que geram renda no campo, movimentam agroindústrias, sustentam empregos e fortalecem o comércio internacional capixaba”, destaca.
Apesar desse cenário, Bergoli alerta que a avicultura e parte do setor pesqueiro continuam vulneráveis às novas barreiras comerciais. Segundo ele, carnes de frango e ovos não foram contemplados nas listas de exceção, enquanto alguns pescados ficaram isentos apenas da tarifa anterior, permanecendo sujeitos à nova cobrança de 12,5%.
“Temos uma preocupação especial com a avicultura de corte e de postura, que agora pode enfrentar a soma das tarifas, chegando a 37,5%. Também acompanhamos a situação dos pescados, pois, dependendo da classificação do produto, as duas sobretaxas poderão ser aplicadas, aumentando significativamente o custo de entrada no mercado norte-americano”, afirma o secretário.
Bergoli defende que o Governo Federal mantenha as negociações comerciais com os Estados Unidos para buscar a revisão das medidas. Segundo ele, a manutenção dessas tarifas pode gerar insegurança para exportadores, afetar contratos comerciais e comprometer investimentos, empregos e a renda dos produtores rurais.
O gerente de Dados e Análises da Seag, Danieltom Vandermas, explica que o atual cenário começou em 2025, quando os Estados Unidos passaram a adotar uma política comercial mais protecionista. Inicialmente foi criada uma tarifa geral de 10% sobre importações e, posteriormente, uma sobretaxa de 40% para determinados produtos brasileiros, que chegou a elevar a tributação total para até 50%.
Após decisões da Justiça norte-americana questionarem a base legal dessas cobranças, o governo dos Estados Unidos reformulou a estratégia e passou a utilizar investigações comerciais previstas na Seção 301 da legislação americana. Esse processo resultou na tarifa adicional de 25% anunciada em julho deste ano e, posteriormente, na nova cobrança de 12,5%, relacionada às políticas de combate ao trabalho forçado.
Para Vandermas, as mudanças sucessivas aumentam a incerteza para produtores e exportadores. “Em pouco tempo houve alterações nas alíquotas, nos fundamentos das medidas, nos prazos de vigência e nas listas de exceção. O agro capixaba foi beneficiado em produtos importantes, mas outros segmentos permanecem expostos. Em um cenário cada vez mais influenciado por questões geopolíticas, será essencial ampliar a inteligência comercial, diversificar mercados e fortalecer a competitividade das exportações”, avalia.
Fonte: Seag
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