Importação de tilápia do Vietnã acende alerta para riscos econômicos e sanitários no Brasil

Foto: Freepik

O avanço das importações de tilápia do Vietnã tem gerado preocupação crescente entre produtores brasileiros e entidades do setor. Além de pressionar os preços no mercado interno, a entrada do pescado estrangeiro levanta dúvidas sobre concorrência desleal e riscos sanitários que podem impactar diretamente a piscicultura nacional.

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Segundo Marilsa Patrício, executiva da Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União (Peixe SP), um dos principais pontos de alerta está no desequilíbrio competitivo. “A tilápia importada chega ao Brasil com preços significativamente mais baixos, pois não enfrenta a mesma carga tributária, nem as exigências ambientais e os altos custos de produção que recaem sobre o produtor brasileiro”, afirma.

Nos últimos três meses, mais de 3,5 mil toneladas de tilápia foram importadas do Vietnã. O aumento da oferta tem contribuído para a queda no preço pago ao produtor nacional, comprimindo margens e tornando a atividade cada vez mais desafiadora, especialmente para pequenos e médios piscicultores.

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Risco sanitário preocupa o setor

Outro ponto crítico destacado pela entidade é o risco de introdução do vírus TiLV (Tilapia Lake Virus), ainda ausente no Brasil. A doença é considerada altamente letal e pode causar até 90% de mortalidade nos peixes.

“Historicamente, o Vietnã enfrenta problemas com o TiLV. A importação de tilápia, especialmente sem garantias claras de procedência e controle, pode comprometer décadas de avanços sanitários no país”, alerta Marilsa.

Produção nacional em expansão

Apesar da pressão externa, o Brasil mantém posição de destaque no cenário global. Atualmente, o país é o quarto maior produtor de tilápia do mundo, com uma produção anual superior a 700 mil toneladas. Nos últimos dez anos, a oferta interna cresceu mais de 58%, impulsionada por investimentos em tecnologia, melhoramento genético, gestão e processamento.

Para a Peixe SP, a continuidade das importações em larga escala pode frear esse desenvolvimento. “Há risco de redução significativa de investimentos no setor, justamente em um momento de consolidação da piscicultura brasileira”, destaca a executiva.

Impactos sociais e apelo ao consumidor

Os efeitos não se limitam à economia. A piscicultura é uma atividade essencial para milhares de famílias no meio rural, especialmente entre pequenos e médios produtores. A pressão sobre os preços e a perda de competitividade podem comprometer empregos, renda e o fortalecimento do cooperativismo.

Diante desse cenário, a entidade reforça a importância do consumo consciente. “Orientamos que o consumidor verifique a procedência do filé que está adquirindo. Valorizar o produto nacional é também apoiar empregos, renda e toda a cadeia produtiva da piscicultura brasileira”, conclui Marilsa.

Fonte: Texto Comunicação Corporativa

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