Leilão ofertará 300 fêmeas e 150 touros Brangus de geração avançada

No começo da década de 1980, o produtor Luiz Alberto Sampaio Mousquer, trocou o município de Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, onde cultivava soja, por Campo Novo do Parecis, no Mato Grosso, na Região Centro-Oeste do Brasil. Ele foi um dos primeiros a desbravar o Cerrado brasileiro e, quando chegou, precisou primeiro abrir as áreas. Eram pouco mais de 30 famílias nas fazendas vizinhas e o lugar ainda carecia de infraestrutura mínima. Naquelas lonjuras, os pioneiros não tinham acesso nem a telefone, por exemplo.

Os desbravadores do Cerrado, muitos vindos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, não desistiram e, hoje, Campo Novo do Parecis, de cerca de 35 mil habitantes, possui cerca de 42% do território destinado às safras de grãos e é o maior produtor nacional de girassol e pipoca. Pois foi nessa região predominantemente agrícola que Luiz Alberto começou a criar bovinos Brangus, resultado da cruza do Aberdeen Angus com o Zebu.

A raça Brangus foi introduzida há 16 anos na Estância Brangus Tradição MT. Em 2005, o agropecuarista adquiriu aproximadamente 1,5 mil vacas da raça zebuína Nelore e, desse total, selecionou 600 fêmeas. Com esses ventres, o produtor começou o processo de seleção e absorção genética. Luiz Alberto conta que, desde o início, pensava em criar uma raça que viesse aumentar a produtividade e agregar valor comercial ao rebanho. Ele encontrou na raça Brangus um animal perfeitamente adaptado às condições do Brasil Central, com características importantes herdadas da raça Angus, como maior precocidade, marmoreio da carne, conversão alimentar, ganho de peso e docilidade.

Atualmente, o plantel da estância encontra-se na quinta geração e é formado por 2,3 mil vacas puras controladas, com uma pressão de seleção de 18,7%. As fêmeas são 100% inseminadas com Inseminação Artificial a Tempo Fixo (IATF), com uma taxa de prenhez de 70%. Com o repasse por touros, o índice salta para 90%. “A maioria do rebanho tem pelagem preta, uma preferência do mercado”, salienta Luiz Alberto.

O criador gaúcho e o seu filho, o engenheiro agrônomo e advogado Luiz Gustavo Rebelato Mousquer, adquiram touros e sêmen da Estância Olhos d’Água, de Alegrete (RS), uma referência da pecuária gaúcha. E também importaram sêmen de genética argentina, dos touros Brochero, Jesuita, Everest e Don Corleone, entre outros.  

O rebanho Brangus se adaptou muito bem às condições edafoclimáticas do Centro-Oeste, pois a estância está localizada a 650 metros de altitude, onde à noite o clima é bem ameno e, embora faça temperaturas altas durante o dia, a umidade relativa é alta. Com a finalidade de minimizar perdas e estresse dos animais, foram construídas praças de alimentação com boas sombras, para que nos horários mais quentes eles possam se abrigar do sol.

Na propriedade mato-grossense, de 6 mil hectares, 1,5 mil deles são destinados ao plantio de cana-de-açúcar para a produção de etanol e açúcar. A produção é entregue na cooperativa Coprodia e também na Etamil, que produz o biocombustível utilizando milho. As duas usinas estão localizadas em Campo Novo do Parecis. A estância ainda reserva outras áreas para o plantio de milho e soja, para renovação das pastagens.

LEILÃO – O objetivo do estabelecimento é a produção de touros de genética avançada e maior consistência genética para atender a demanda do mercado mato-grossense e dos demais Estados da região Centro-Oeste. No dia 22 deste mês (domingo), os branguistas terão oportunidade de conferir o resultado desse trabalho de seleção no primeiro Leilão Brangus Tradição MT. O remate, no formato virtual, ocorrerá a partir das 9h e será transmitido ao vivo pelo Canal do Criador e Lance Rural. O martelo ficará a cargo da Programa Leilões, de Londrina (PR).

A Estância Tradição colocará em pista 300 matrizes e 150 reprodutores, uma oferta diferenciada de Brangus, produzido e selecionado no estado do Mato Grosso, perfeitamente adaptado às condições do Bioma Cerrado. A expectativa é de bons negócios. A expectativa é muito grande, pois foram reservadas 300 fêmeas da cabeceira da seleção e 150 reprodutores, que são os melhores da safra. “Vamos ofertar no leilão as melhores fêmeas das últimas duas gerações da Brangus Tradição MT”, ressalta Luiz Gustavo, lembrando que os machos também se destacam pela qualidade. “Nós temos uma pressão de seleção muito grande e escolhemos esses 150 reprodutores que serão ofertados no remate entre um universo de mil touros”, completa.

Fonte: Associação Brasileira de Brangus

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