Oferta global de cacau deve seguir positiva, mas clima reduz margem de superávit na safra 2026/27
Foto: Freepik

O mercado mundial de cacau deve continuar registrando oferta superior à demanda na safra 2026/27, mas a diferença entre produção e consumo será bem menor do que o previsto inicialmente. A avaliação é da consultoria StoneX, que reduziu sua estimativa de superávit global de 149 mil para 25 mil toneladas, diante do aumento dos riscos climáticos e da revisão para baixo da produção na África Ocidental, principal região produtora do mundo.
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Segundo a consultoria, a mudança no cenário reflete os impactos das chuvas intensas registradas em junho nos países produtores, além da crescente probabilidade de um episódio de El Niño de forte intensidade entre o fim de 2026 e o início de 2027. Esses fatores podem comprometer o desenvolvimento das lavouras justamente no período de formação da principal safra, cuja colheita começa entre setembro e outubro.
As maiores revisões ocorreram nos países da África Ocidental. Na Costa do Marfim, líder mundial na produção de cacau, a projeção para a safra 2026/27 caiu para 1,775 milhão de toneladas. Também houve redução nas estimativas para Gana, Nigéria e Camarões, refletindo condições climáticas menos favoráveis e um ritmo mais lento de desenvolvimento das plantações. A suspensão temporária de novas vendas antecipadas da safra pela Costa do Marfim também reforçou as preocupações do mercado em relação ao potencial produtivo da próxima temporada.
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Mesmo com a redução na oferta, a StoneX ainda projeta crescimento próximo de 2% no processamento mundial de cacau, com a moagem alcançando cerca de 4,75 milhões de toneladas. A consultoria avalia que parte dessa recuperação está relacionada à recomposição dos estoques da indústria e acredita que a gradual normalização dos preços dos derivados do cacau poderá estimular o consumo ao longo do próximo ciclo.
Entre os produtores fora da África, o Brasil mantém perspectivas mais favoráveis. A expectativa é de uma produção entre 210 mil e 215 mil toneladas na safra 2026/27. Embora o El Niño possa afetar as lavouras, principalmente na Bahia, a StoneX considera que investimentos em tecnologia e a expansão da área cultivada tendem a reduzir parte dos impactos climáticos e sustentar o crescimento da produção nacional.
Fonte: StoneX
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