Orgânicos transformam vidas no sertão pernambucano e nas montanhas capixabas

A Coopcafa foi criada com o objetivo de ampliar a venda das polpas de frutas e derivados da cana produzidos pelos agricultores

No sertão de Pernambuco, nas mesmas terras que um dia foram pisadas por Virgulino Ferreira da Silva, o temido Lampião, eternizado como o rei do cangaço, hoje brota a esperança de um futuro melhor. Talvez fosse esse também um dos motivos das investidas de Lampião pelo sertão nordestino, mas os que lá hoje moram e trabalham, não usam espingardas, revólveres ou facas como Lampião e seu bando, mas enxadas, foices e facões.

Amado por uns e odiado por outros, Lampião percorria o sertão nordestino, ao lado de sua esposa Maria Bonita e da sua turma de cangaceiros, praticando saques e disputando terras.

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Lampião ficou eternizado como o rei do cangaço

A cerca de 30 quilômetros de Serra Talhada, cidade onde o rei do cangaço nasceu, bem no sertão de Pernambuco, ficam os municípios de Triunfo e Santa Cruz de Baixa Verde. E nessa região, onde Lampião guerreou nas décadas de 1920 e 1930, e que um dia foi palco de tanta morte, hoje vivem os reis e rainhas, não do cangaço, mas da agricultura, que são os pequenos agricultores proprietários de minifúndios (propriedades rurais de pequeno porte), dedicados à produção de frutas orgânicas.

Há 26 anos, começou a ser escrita uma nova história na região, deixando para trás as disputas dos cangaceiros. Unidos como a tropa de Lampião, mas com objetivos diferentes, 19 jovens agricultores iniciaram outra batalha, não por disputas de terras, mas sim a favor da recuperação do solo tão maltratado até então. Eles perceberam que podiam fazer mais por suas terras, ao invés de serem derrotados pela fome, já que o solo já não produzia o suficiente para as famílias tirarem dele seu sustento.

Foi quando esses guerreiros iniciaram um projeto de agroecologia, o que naquela época, era coisa de gente doida. Um desses soldados do meio ambiente, que hoje produz alimentos orgânicos em sua propriedade, principalmente frutas, foi José Edimilson Soares, 56 anos, do Sítio Brejinho, em Triunfo. E foi a partir desse trabalho que hoje a região pode ser considerada um oásis do sertão, e referência na produção orgânica.

“Se não tivéssemos iniciado o projeto de agroecologia, com certeza hoje eu e muitas outras famílias não estaríamos mais aqui. Eu teria ido para o Sul procurar outras oportunidades, ou estaria trabalhando em plantações de cana. O agricultor precisa ter um retorno da terra, e conseguimos isso com esse projeto agroflorestal. Naquela época nos chamaram de doidos, mas hoje todos já se conscientizaram da importância de preservar a terra”, relatou o agricultor.

PRESERVAÇÃO – O início do sistema agroflorestal começou com o plantio de espécies frutíferas e plantas nativas no mesmo terreno, como a palma forrageira, acerola, seriguela, manga, goiaba, cajá, entre outros. Além de fazer a adubação natural da terra com galhos, folhas e as frutas que caem, essa é uma forma de preservação ambiental, assim como das nascentes.

Entre as ações promovidas pelos pequenos agricultores estão a não queima da palha da cana após a colheita, o não uso de adubos químicos nas lavouras, e o preparo da terra sem queimadas.

O projeto agroflorestal foi iniciado há 26 anos em Pernambuco
José Edimilson Soares se orgulha de ver sua produção de frutas

“Na minha propriedade era só plantio de cana. Quando iniciamos o projeto de agroecologia, começamos a plantar árvores e sementes para recuperar o solo. Temos uma diversidade de plantas frutíferas, medicinais e nativas, e hoje vemos muitos animais que não existiam, os pássaros voltaram e a água corre nos riachos”, descreve com entusiasmo o agricultor, que cultiva principalmente acerola, manga, goiaba, cajá, abacate, banana e mamão.

Em pouco tempo os resultados começaram a ser colhidos, com uma produção de alimentos que era suficiente para o sustento da família, e um excedente, que começou a ser comercializado. Foi quando 12 dos 19 jovens que buscaram alternativas agroecológicas de cultivo deram mais um importante passo: eles criaram a Associação de Desenvolvimento Sustentável Rural da Serra da Baixa Verde, no ano de 1996.

Com o tempo, mais produtores começaram a aderir ao sistema e participarem da associação, que passou a comercializar a produção excedente para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) dos municípios locais.

A cidade de Triunfo fica no sertão de Pernambuco, e a produção orgânica é um dos destaques da região

Uma conquista importante, e que impulsionou a associação, foi a construção de uma unidade de processamento das frutas, por meio de um convênio com uma entidade da Alemanha. Consequentemente, foi iniciada a produção de derivados da cana-de-açúcar, como o açúcar mascavo, que não era tão popular na época.

A partir daí, mais pessoas começaram a participar, pois perceberam que a união dos pequenos agricultores estava dando muito certo. Foi por meio de uma consultora alemã, que na época atuava no Sindicato Rural do município, que a unidade processamento das frutas virou realidade.

Cooperativa faz produtos chegarem à rede de supermercado de São Paulo e do Rio de Janeiro

Vislumbrando atingir outros mercados, os associados precisaram buscar alternativas para realizar as vendas, já que isso não era possível enquanto associação. Foi aí que eles pensaram em criar uma cooperativa, em 2009. Após estudos e com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) de Pernambuco, em 2011 foi criada oficialmente a Cooperativa de Produção e Comercialização da Agricultura Familiar Orgânica Agroecológica (Coopcafa), que atualmente conta com 38 cooperados.

Um deles é o entusiasta e visionário José Edimilson Soares. Segundo ele, após o surgimento da cooperativa, a comercialização foi ampliada e hoje os produtos estão em mais de 20 municípios pernambucanos e até em outros Estados, como em São Paulo e no Rio de Janeiro, nas gôndolas da rede Pão de Açúcar.

O agricultor também destacou a importância da criação da Coopcafa. “A cooperativa foi um avanço, pois já estávamos sentido dificuldade enquanto associação. Havia algumas políticas públicas que não podíamos acessar de forma organizada. A associação não tinha natureza jurídica e de venda, e isso limitava muito. A produção estava aumentando, e precisávamos escoar”, relatou.

Presidente da cooperativa desde a fundação, em 2011, Nadjanecia Santos conta que em 2012 a cooperativa participou com o primeiro projeto no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) nos municípios de Triunfo, Santa Cruz da Baixa Verde, Serra Talhada e Custódia.

Em 2014, os produtos passaram a serem vendidos também para comércios locais, com os itens agroecológicos, entre eles, as polpas das frutas, livre de qualquer tipo de conservante. Ela reforça que tudo isso se deve àquela semente plantada pelos 19 jovens que iniciaram a produção agroecológica.

Nadjanecia assumiu a presidência da Coopcafa aos 19 anos e há 11 anos comanda a cooperativa

“Estamos no sertão de Pernambuco, e aqui é uma região muito quente, mas quando chegamos às propriedades dos cooperados, sabemos diferenciar muito bem das demais, porque é tudo verde e preservado. Muitas árvores conseguem segurar a água no solo, e com isso, preservamos as matas ciliares. Dessa forma, vemos as águas por mais tempo nos riachos e a produção é outra”, destacou Nadjanecia.

APOIO DA OCB/PE – Nadjanecia relatou que a Coopcafa ganhou um impulso com o apoio da OCB/PE, que a partir de 2016 passou a auxiliar em todos os processos burocráticos, fornecer capacitações e abrir novos horizontes. “Hoje, se somos o que somos, com essa nossa referência, devemos muito à OCB”, afirmou Nadjanecia.

Entre os benefícios apontados pela presidente da cooperativa, destaca-se o apoio na divulgação, o que impulsionou a ampliação das vendas. “E hoje somos exemplo para outras cooperativas. A OCB de Pernambuco e também da Paraíba já trouxeram representantes de outras instituições para conhecerem como realizamos o projeto agroflorestal”, disse.

A rapadura é um dos principais produtos da Coopcafa e é comercializada em 20 municípios pernambucanos, no Rio de Janeiro e em São Paulo

Em seu terceiro mandato como presidente da cooperativa, sendo que assumiu o comando da Coopcafa aos 19 anos, Nadjanecia, que também é agricultora e produz frutas e cana-de-açúcar, poderia ser considerada a nova Maria Bonita do sertão, se comparada a sua garra e determinação por uma causa, nesse caso, ao cooperativismo.

Ela disse que hoje sente muito orgulho da Coopcafa. “Nesses 11 anos tivemos muitos desafios, e hoje ter esse reconhecimento que temos, é muito gratificante, principalmente poder ver as famílias felizes, entregando seus produtos para a comercialização”, afirmou.

Orgânicos das montanhas capixabas para o mundo

A família Wruck produz café orgânico há 23 anos em Domingos Martins
O café é comercializado no Espírito Santo, e enviado até para o exterior

Em Pernambuco, provavelmente grande parte da população nunca ouviu falar na cidade capixaba de Domingos Martins, que fica nas montanhas do Espírito Santo. Mas, o Estado nordestino tem uma importante ligação com o município capixaba: Domingos José Martins, que deu nome à cidade montanhosa, foi mártir e líder da Revolução Pernambucana, que eclodiu no ano de 1817.

Esse movimento, de caráter separatista e republicano, manifestou a insatisfação local com o controle de Portugal sobre a região e com as desigualdades sociais existentes. Está aí outra semelhança, pois mesmo distantes e em regiões brasileiras diferentes, Pernambuco e Domingos Martins possuem a produção orgânica e o cooperativismo como ferramentas para reduzir as desigualdades no campo, levando mais qualidade de vida aos pequenos agricultores.

Um exemplo é a família Wruck, que trabalha com produção orgânica há 23 anos, e diferente de Pernambuco, onde as frutas são as estrelas, nas terras capixabas a produção principal é a do café arábica e de verduras. As lavouras da família Wruck são comandadas pelo casal Adriano Orlando e Joselia, juntamente com os filhos Juliano e Joelson. Além do café – o principal produto -, eles também cultivam banana, milho, feijão e verduras, na maioria, para o consumo da família.

“Nosso principal foco é no café, pois investimos em equipamentos de processamento para comercializar o grão torrado e moído. Algumas verduras e o feijão, quando produzimos além do nosso consumo, enviamos para uma feira orgânica. Minha mãe também produz geleias de frutas que colhemos na propriedade”, contou Joelson Wruck.

O jovem também conta que a partir do momento em que a família criou uma marca própria do café, a demanda cresceu e eles passaram a dedicar mais tempo ao produto. Esse, inclusive, foi um dos motivos que fez com que os dois filhos permanecessem na propriedade, atuando junto com os pais. E um dos motivos que impulsionou a família a beneficiar o café foi justamente agregar valor ao produto. “Começamos a torrar o café, que é especial e orgânico, para ampliar as vendas. Hoje nós vendemos toda a produção beneficiada com a nossa marca”, informou.

PARCERIAS – Após o início da operação da agroindústria, a família Wruck passou a receber uma demanda além do que eles tinham capacidade para atender com a produção própria. Dessa forma, eles começaram a comprar café orgânico, com certificado, de produtores da região, como uma família do município vizinho de Santa Maria de Jetibá.

“Hoje estamos beneficiando cafés de cinco produtores. Compramos o café in natura, fazemos o processamento na nossa agroindústria, e pagamos um valor justo e que agrade aos produtores. Inclusive abrimos a possibilidade para que outros cafeicultores usem da nossa estrutura. Hoje beneficiamos cafés orgânicos para outras quatro marcas de café”, revelou Joelson.

Voltando a Pernambuco, a Coopcafa também tem uma história parecida de parceria, e inclusive serviu de incentivo para a criação de outra cooperativa, que hoje absorve principalmente a produção de pinha. “Muitos dos nossos cooperados têm uma produção dessa fruta, e não conseguíamos produzir polpas em nossa unidade. Agora, por meio de parceria, essa outra cooperativa passou a comprar essa fruta para venda in natura”, contou a presidente da Coopcafa, Nadjanecia Santos.

LOJA NA PROPRIEDADE – Sempre pensando em expandir a comercialização dos produtos e poder mostrar como tudo é feito por eles, a família Wruck abriu uma loja na propriedade, onde eles vendem direto ao consumidor. O espaço foi construído ao lado da unidade de processamento dos grãos.

“Percebemos essa necessidade de receber o cliente, para conhecer de perto como produzimos. Durante a pandemia tivemos uma queda no movimento, inclusive de escolas, que traziam os alunos para conhecer todo o nosso processo de orgânicos. Atualmente já voltamos a receber os visitantes, respeitando todas as regras necessárias para evitar contágio da Covid-19”, informou Joelson.

Na loja montada na propriedade da família Wruck são comercializados diversos produtos, conforme contou Joelson

Agora, com essa retomada de visitas, a família acredita que haverá procura pelos demais produtos, como pães, biscoitos, geleia, queijos e outros itens. “A lojinha foi importante porque muitas vezes o cliente conhecia apenas o nosso café, mas na visita, acaba levando outros produtos e passa a consumi-los”, disse.

Agricultores se reinventam durante a pandemia e fazerem delivery dos produtos

Se antes da pandemia da Covid-19 os agricultores brasileiros vendiam a produção em feiras, mercados ou até nas suas propriedades, a partir de 2020 eles precisaram se reinventar, e passaram, inclusive, a fazer delivery dos produtos do campo direto para o consumidor.

“Com o início da pandemia, passamos a não mais vender na propriedade. A nossa outra preocupação era com relação às feiras, que até então era onde mais vendíamos muitos produtos. Mas, começaram a abrir novas portas, e o delivery foi uma delas”, relembrou Joelson Wruck.

E foi por meio desse sistema de entregas que mais consumidores passaram a conhecer os produtos orgânicos. Nos anos de 2020 e 2021, diversos produtores do Espírito Santo montavam cestas com diversos produtos orgânicos, que muitas vezes eram compostas pela produção de diversas famílias. Nessa época, a Cooperativa de Empreendedores Rurais de Domingos Martins (Coopram) criou um site e-commerce e passou a entregar cestas na região e até na Grande Vitória.

A cooperativa capixaba passou a entregar produtos na região e na Grande Vitória durante a pandemia da Covid-19

Além da produção de verduras, legumes, frutas, café e outros itens produzidos pelos cooperados da Coopram, é possível encontrar, no site, produtos adquiridos de outras cooperativas, como é o caso dos laticínios da Cooperativa de Laticínios de Alfredo Chaves (Clac), e as maçãs e mamões que são adquiridos por meio de parceria com outras cooperativas capixabas.

“Com esse projeto, tivemos um aumento na demanda pelo nosso café. O produtor que estava organizado para atender a esse momento, soube tirar proveito da pandemia, pois muitas portas se abriram”, afirmou o agricultor Joelson.

Ele destaca que a maior parte do café produzido hoje pela família é comercializada em feiras orgânicas no Estado, por feirantes parceiros. Além disso, consumidores de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina encomendam o café semanalmente. Os grãos orgânicos também já chegaram na Argentina, Alemanha, Canadá e Estados Unidos, levados por viajantes que estiveram no Brasil. 

VENDAS AUMENTAM – Em Pernambuco, no Nordeste brasileiro, a Coopcafa também viu a procura pelos produtos aumentarem durante a pandemia, conforme contou a presidente Nadjanecia Santos, que revelou que no início da pandemia, a direção da cooperativa temia que a instituição pudesse fechar.

“Os mercados passaram a ter restrições nos horários de funcionamento e nossos produtos não eram os de primeira necessidade, como feijão, arroz e carne, por exemplo. Mas fomos incentivados a continuar produzindo para entregar aos programas de alimentação que participávamos, como os das escolas”, contou.

Devido à pandemia, também surgiram muitos projetos voltados à alimentação, com produtos da agricultura familiar. “Teve momentos em que não estávamos dando conta da demanda, e conseguimos abrir outras portas de comercialização. Não parávamos de trabalhar nem aos finais de semana”, relatou.

Sicoob apoia pequenos produtores do Espírito Santo e de Pernambuco

Outro importante apoio dos pequenos produtores em todo o Brasil é o Sicoob, que hoje está presente em todo o Brasil. O Sicoob do Espírito Santo, por exemplo, tem mais de 500 mil associados, e atua em solo capixaba, no Rio de Janeiro e na Bahia. Em nível nacional, tem cerca de 6 milhões de cooperados, está presente em todos os Estados brasileiros e no Distrito Federal e é a única instituição financeira presente em mais de 300 municípios.

Atualmente, o banco cooperativo ocupa a segunda colocação entre as instituições financeiras com maior número de agências no Brasil, segundo ranking do Banco Central, com 3.836 pontos de atendimento em duas mil cidades brasileiras. Além de ter um atendimento diferenciado se comprado com bancos tradicionais, conforme pesquisas realizadas com cooperados, há produtos com taxas diferenciadas aos pequenos agricultores.

Em Domingos Martins, a família Wruck fala com orgulho da cooperativa bancária. “Passamos a ser cooperados há cerca de dois anos, depois que muitas pessoas nos indicaram e falaram muito bem do Sicoob, principalmente para o produtor. Temos uma maior facilidade em acessar linhas de crédito e o atendimento é exemplar”, contou Joelson Wruck. O jovem agricultor disse que o bom atendimento foi desde o primeiro contato. “Sabemos que quando precisamos, o Sicoob está aqui para nos ajudar”, destacou.

No sertão nordestino, o Sicoob tem ganhado cada vez mais adeptos, como é o caso da agência aberta em 2019 na cidade de Triunfo, em Pernambuco. A presidente da Coopcafa, Nadjanecia Santos, foi uma das incentivadoras da abertura da agência na cidade.

“Hoje, quase todos os nossos cooperados têm conta no Sicoob. Até então, existia apenas um banco na cidade, além de outro que tinha atendimento limitado na lotérica. Como fazíamos parte da OCB naquela época, percebemos que o Sicoob era o banco ideal para nós. Não dá nem para comparar o atendimento do Sicoob com o de outros bancos. Não há fila de espera, não temos burocracia para falar com o gerente e nem para abrir uma conta. Temos o contato direto das atendentes, que nos ajudam em tudo”, relatou.

Ela ainda enfatizou a facilidade em acessar linhas de créditos. “No ano passado, conseguimos em poucos dias um capital de giro de R$ 50 mil, coisa que estávamos lutando desde 2016 no outro banco e nunca conseguíamos. Sempre exigiam muitas documentações e nunca aprovavam o valor”, revelou.  

Futuro promissor para a produção orgânica

Hoje, o exército que luta na produção de orgânicos é muito maior que a tropa de Lampião. Além disso, esse movimento não irá acabar como o cangaço, pois as lutas são em prol da qualidade de vida da população, e o consumo de produtos orgânicos tem crescido nos últimos anos, principalmente desde o início da pandemia da Covid-19. A afirmação é do diretor executivo da Associação de Promoção dos Orgânicos (Organis), Cobi Cruz.

De acordo com o representante da Organis, em 2020 o setor teve um salto de 30%, e a expectativa é de que a demanda se mantenha firme. “Esse setor movimenta cerca de 120 bilhões de dólares em todo o mundo, e o Brasil representa apenas 1% desse movimento financeiro. Não se trata de um ‘agronegocinho’, como dizem”, destaca.

Cobi Cruz afirmou que o consumo de produtos orgânicos está crescendo em todo o mundo

Segundo ele, o consumo de produtos orgânicos tem crescido em todo o mundo. “E essa pressão por saúde já acontecia antes da pandemia no mundo inteiro. E isso não tem volta. O Brasil é o celeiro do mundo e tem toda uma história agroecológica desde os anos 70, e tínhamos que estar muito mais avançados”, afirma.

Cobi Cruz contou que cerca de 70% da produção orgânica brasileira é de pequenos produtores. Um dado interessante é que o Brasil é o maior produtor mundial de acerola orgânica, devido a um trabalho feito no Nordeste. “Outro importante destaque é a produção de açúcar. A maior fazenda de cana-de-açúcar orgânica do mundo está no Brasil”, contou.

E o diretor da Organis afirmou que mudar a produção convencional para o orgânico requer dedicação, e uma mudança de conceitos. “Se quisermos ver um Brasil cada vez mais orgânico, temos que contar com os convencionais de hoje, que vão fazer a sua transição para os orgânicos. Temos que trabalhar melhor o tema com o produtor”, sugere.

E essa sugestão de Cobi Cruz já está integrada no dia a dia de famílias de agricultores em diversas regiões brasileiras, como os exemplos de Pernambuco e do Espírito Santo. Com todo esse exército de produtores rurais lutando pela produção orgânica, o futuro promete ser próspero, com mais qualidade de vida para as famílias e com as terras cada vez mais preservadas.

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Julio Huber

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