Os desafios e oportunidades da citricultura brasileira

O citricultor Rodrigo Cassarotti, de Limeira (SP), investe constantemente em tecnologia

A citricultura dos dias atuais não é para amadores. Essa afirmação é unânime entre os produtores de laranja e limão que se mantém firmes e fortes nessa atividade tão desafiadora. E não é para menos: desde seu advento, na década de 1970, a citricultura viveu ciclos distintos e atravessou adversidades, passando da Era de Ouro até uma fase implacável nos anos 2000, quando as dificuldades em torno da produção e do mercado fizeram com que tantos produtores migrassem para outras atividades.

Atualmente, a cultura passa por uma fase interessante e remunera bem o produtor. A citricultura está ligada à saúde. Com a pandemia, o consumo de suco de laranja e de frutas cítricas aumentou, auxiliando no aumento da imunidade pela alta concentração de vitamina C. Em um ano em que a previsão era de baixas, a pandemia elevou o consumo e os preços puxados pela alta do dólar, trouxeram uma visão mais otimista para o setor.

Mas, para aproveitar as oportunidades, a tecnologia e o conhecimento se tornaram peças fundamentais. É o caso do citricultor Fábio Cerutti, engenheiro Agrônomo pela ESALQ-USP, que é a terceira geração de uma família de citricultores da região de Monte Azul Paulista (SP). Fábio está há mais de 20 anos à frente da produção da família, e é categórico: “hoje está muito difícil produzir laranja, a cultura não dá espaço para quem quer se aventurar”.

Apesar das dificuldades, o produtor considera a atividade recompensadora e vem investindo na reforma e ampliação dos pomares de laranja. Hoje, parte das fazendas produz cana-de-açúcar e pecuária. Fabio enumera o que considera importante para manter a atividade viável. “Primeiro, que tem que fazer a base perfeita. Eu não abandono uma boa consultoria. A tecnologia dá uma ajuda muito grande e estamos começando a usar máquina com GPS para controlar a pulverização, as áreas de aplicação e a velocidade”.

Com a família Sentinello, não é diferente. Na região de Jales (SP), são os irmãos Paulo César, Marcos Luiz, Marcelo Renato e Moisés Henrique que administram uma nova citricultura. “Ano passado se a gente produziu uma média de 1.260 caixas por hectare, esse ano a gente acredita que feche em 1.500”, contabiliza Marcelo, que atribui os bons resultados a investimentos nos tratos do pomar. “Nós fizemos uma adubação melhor, com as tecnologias foliares, aminoácidos. Também aplicamos produto biológico, então esse ano quase não teve problema de ácaro, fungo e bactéria”.

Nome forte na produção de laranja para mesa, a família Bardin ingressou na citricultura pelo caminho inverso: os cinco irmãos, Adilson, Antônio, Donizete, Paulo e Elso eram feirantes e comercializavam frutas em feiras livres na região de Campinas (SP). Desde então, o grupo defende como diferencial de sua produção, a atenção em todo o processo produtivo, desde os cuidados com o solo, escolha das mudas e tecnologias aplicadas.

“Laranja é muito dinâmica e desde 1980 os irmãos tiveram essa percepção. Os tratamentos vêm mudando ano a ano, a cultura exige que a gente mude o manejo ano a ano, por causa do clima, das pragas, das doenças e a gente já incorporou esse perfil de mudança, de crescimento. Nós temos consultores trabalhando conosco há mais de 30 anos, e vamos unindo forças e sempre entrando com novas tecnologias”, comenta Eduardo, que afirma fazer o possível para implantar inovações para melhorar a produção.

Já o citricultor Rodrigo Cassarotti, literalmente, cresceu dentro da Coopercitrus de Limeira (SP). Além de morar próximo da cooperativa, desde menino, ele acompanhava seu pai, Oscar Gomes Cassarotti, nas visitas à Coopercitrus para comprar insumos para a produção de citros.

Além da irrigação, o segredo da produção de Rodrigo são as tecnologias para elevar a produtividade e combater pragas e doenças. “Eu defendo muito que o solo é o principal. Dou muita importância para a fertilidade. Não existe nada milagroso, uma base bem feita no calcário, no gesso, uma adubação bem feita. A gente trabalha com foliar como complemento para alcançar a alta produtividade e eu também faço fertirrigação”, informa.

Daniel Lavrado também é um filho de citricultor e no Sítio Progresso, em Marcondésia (SP), junto com seu pai Ademir e seu irmão Danilo, ele toca a produção de 20 mil pés de laranja, em um pomar 100% irrigado, com aproximadamente 50 hectares. A família é cooperada da Coperfam (Cooperativa de Agricultura Familiar), e se destaca por praticar uma agricultura altamente tecnificada, investir em tecnologia e extrair resultados interessantes.

“Meu pai sempre falou: em época de crise, você planta laranja, porque se tá em crise, uma hora ou outra tem que melhorar, e a salvação nossa foi essa. Outra coisa, ele nunca deixou de cuidar da laranja, fazer análise de solo, jogar calcário. Meu pai sempre gostou de tudo que era de tecnologia, essa é outra vantagem. Quando saiu o pulverizador bilateral, em 2004, a gente já comprou, então a gente economiza óleo, economiza tempo”.

Com portfólio completo de produtos, serviços de tecnologia e suporte técnico com especialistas em citros, a Coopercitrus segue fortalecendo os citricultores, garantindo as melhores oportunidades e a solução dos principais desafios.

A Coopercitrus, que é a Cooperativa de Produtores Rurais, fundada em 1976 em Bebedouro (SP), é hoje a maior cooperativa paulista e uma das maiores do Brasil no fornecimento de insumos, máquinas, implementos e assistência. Com mais de 38 mil associados, a cooperativa mantém unidades de negócios em mais de 60 municípios, nos estados de São Paulo, Goiás e Minas Gerais.

Fonte: Coopercitrus

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