Preço de soja sobe 39% e deixa avicultores e suinocultores capixabas apreensivos

Julio Huber

Os setores de avicultura e suinocultura do Espírito Santo estão apreensivos com a alta desenfreada do valor dos insumos usados para a produção de ração, como soja e milho. De acordo com o diretor executivo da Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo (Aves) e da Associação de Suinocultores do Espírito Santo (Ases), Nélio Hand, a soja teve um acréscimo de 39% nos últimos 20 dias.

“Os setores estão preocupados, pois além da crise que estamos enfrentando devido ao coronavírus, que certamente trará prejuízos aos setores de avicultura e de suínos, agora temos essa situação que pode causar um caos na produção. Vemos que é especulação de mercado fazendo esses preços subirem repentinamente”, afirmou o representante dos segmentos.

De acordo com Hand, é preciso intervenção política para desacelerar os preços dos insumos. “O produtor já estava trabalhando no vermelho, pois os custos dos insumos estavam altos. Sabemos que o mercado de soja e milho está aquecido, as exportações estão crescendo, mas entendemos que nesse momento em que todos estão trabalhando para não desabastecer o mercado, necessitamos de uma intervenção urgente”, apela o diretor.

Segundo Nélio, o milho também está em crescente alta. “Sem dúvida um fato é a preocupação sobre o que pode acontecer após a pandemia do coronavírus passar. As empresas estão procurando os produtos e aquece o mercado mais ainda. O que não queremos e ver os produtores padecerem em função da alta dos preços causados por especulação”, destaca.

Para buscar uma saída para essa situação, representantes da Aves e da Ases estão entrando em contato com a bancada federal capixaba, em Brasília, para que a situação seja resolvida o mais rápido possível.

“Nos demais estados, os setores estão buscando alternativas também. Mas, esse assunto é preciso ser discutido diretamente com o governo federal, não cabendo ao Espírito Santo resolver essa questão, pois envolve outros estados”, informou.

As duas associações enviaram um ofício ao deputado federal Evair de Melo, explicando que o aumento exacerbado do preço da soja nas últimas semanas está encarecendo a produção carnes e ovos, trazendo risco de falência a muitos produtores e empresas do setor. O parlamentar garantiu que irá conversar com o governo federal sobre o assunto.  

Consumidor pode pagar mais caro em carnes e ovos

Com aumento no custo de produção de ovos e das carnes de frango e de suínos, representantes dos setores temem que o preço final do consumidor ficará mais alto, já que o custo adicional para a produção da ração terá que ser repassado ao preço das três proteínas ao mercado final.

“É uma consequência em cadeia, não tem como evitar. Lógico que haverá a questão de demanda e oferta, mas tentaremos minimizar os prejuízos que estamos tendo hoje. Os setores não gostariam de subir preços, pois estamos sensíveis a tudo o que o Brasil está vivendo. Sabemos que haverá consequências no futuro com relação ao emprego e renda, e o setor de alimentos deve ser um dos menos prejudicados, mas existe a preocupação de que os nossos setores também passem dificuldades diante desse cenário de oportunistas no aumento dos insumos”, lamenta.

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