Prêmio Fairtrade estimula a melhoria da qualidade do café e estrutura organizações brasileiras

Texto e fotos – Julio Huber

A artista plástica e ex-esposa do cantor John Lennon, Yoko Ono, escreveu: “um sonho sonhado sozinho é um sonho. Um sonho sonhado junto é realidade”. Essa frase retrata a realidade de cafeicultores brasileiros que fazem parte de associações e cooperativas Fairtrade.

Muitos sonhos que não passavam de sonhos individuais, tornaram-se realidade com a união de produtores e produtoras em organizações que trabalham ações coletivas. Mas, para que tantos sonhos se tornassem realidade, o apoio do prêmio Fairtrade e do preço mínimo foram fundamentais para a estruturação dessas organizações, que assim conseguiram realizar inúmeros projetos que beneficiam milhares de famílias produtoras de café no Brasil.

Um bom exemplo é a Associação dos Cafeicultores de Montanha de Divinolândia (APROD), que fica em Divinolândia, São Paulo, e foi criada com o intuito de melhorar a qualidade de vida dos cafeicultores diante de um cenário desafiador para o setor. O diretor de Certificação e Sustentabilidade da associação, Francisco Sérgio Lange, conta como ocorreu a evolução da entidade, principalmente após a certificação Fairtrade.

“No ano de 2000, o município entra em um processo rural complicado e começamos a conversar sobre a atividade agrícola, exercida em sua quase totalidade por pequenos produtores e produtoras. Em 2002, o café passou por uma das piores crises da história e passamos a conversar sobre a criação de uma associação, o que ocorreu em 2005. Em 2007, tivemos o primeiro contato com o Fairtrade, e conquistamos a certificação, em 2012, quando começa a ser escrita uma nova história da APROD. Sem o Fairtrade, não estaríamos aqui, com certeza”, garante.

Ele explica que atualmente a associação possui uma excelente estrutura de beneficiamento do café, além de oferecer todo o apoio necessário para a produção de cafés especiais. “Através do prêmio do Comércio Justo começamos a sonhar mais alto e, por meio desse prêmio, conseguimos participar de um programa estadual, que nos proporcionou a conquista de toda a nossa estrutura, que é focada em produção de microlotes. Temos todo um processo de acompanhamento desde o plantio até a colheita, até chegar ao processo de beneficiamento”, informou.

História parecida é contada pelos dirigentes da Cooperativa Prata da Cuesta Sustentável (COOPERCUESTA), com sede em São Manuel, São Paulo. Fundador e atual presidente da instituição, Luiz Carlos Bassetto, o Japão, lembra a história da cooperativa, criada por ele e por outros 12 cafeicultores locais, inicialmente como associação. Em 2008 a associação foi certificada Fairtrade e, no ano seguinte, foi transformada em cooperativa. Em 2010,foram vendidas as primeiras sacas de café certificadas.

“Só tivemos a coragem de apresentar propostas de compra de todos os nossos equipamentos à Secretaria de Agricultura de São Paulo e ao Banco Mundial, porque tínhamos a garantia de receber o prêmio pela venda do café Fairtrade. As pessoas que compram o nosso café em várias partes do mundo ajudam a criar essa realidade. A gente aposta em produzir um café de qualidade, que teremos compradores, e com a certeza de que no dia do vencimento de nossas obrigações, o dinheiro vai estar na conta”, relata Bassetto.

Com a ajuda do prêmio Fairtrade, a COOPERCUESTA adquiriu uma colheitadeira e uma recolhedora de café, carretas de transporte, equipamentos para lavagem, descascamento e beneficiamento dos grãos, além de uma estrutura para torrar e embalar o café produzido pelos cooperados. Japão destaca que todos os projetos foram voltados à redução de custos e à agregação de valor.

RÁPIDA EVOLUÇÃO – Localizada em Poço Fundo, Minas Gerais, a Cooperativa dos Pequenos Cafeicultores de Poço Fundo e Região (COOCAMINAS), evoluiu após o apoio do prêmio Fairtrade. O presidente da organização, Juares Carlos Pereira, informou que em 2021 a cooperativa completou 15 anos e o orgulho de todos os associados é a construção do amplo armazém e da sede, que conta com setor administrativo, comercial, de classificação dos cafés e com um laboratório de análise de qualidade dos grãos.

E as conquistas não param, pois uma grande área está sendo preparada para a futura obra que abrigará equipamentos de rebeneficiamento dos cafés. “Uma das nossas grandes conquistas foi quando começamos a participar de concursos Fairtrade no Brasil, e passamos a conhecer o potencial dos nossos cafés. Então vimos que tínhamos capacidade de agregar valor e apareceram muitos compradores internacionais. Achávamos que iria demorar muito para chegar onde estamos hoje, mas conquistamos tudo isso mais rápido por meio do Fairtrade”, afirmou.

Quem também fala com entusiasmo sobre o Fairtrade é Mauricio Alves Hervaz, presidente da Cooperativa dos Produtores do Alto da Serra (APASCOFFEE), localizada em São Gonçalo do Sapucaí, Minas Gerais. Toda a estrutura da entidade – que passou de associação para cooperativa – foi montada por meio do prêmio Fairtrade. Hoje a organização já está exportando seus cafés de qualidade.

“Iniciamos como associação, com 24 produtores, com o objetivo de unir forças e comprar insumos mais baratos. A mudança da APASCOFFEE foi em 2013, quando ela foi certificada Fairtrade. A certificação trouxe o conhecimento, pois não conhecíamos nossos cafés. Precisamos conhecer todos os processos para produzir um café de qualidade. O preço mínimo garantido pelo Fairtrade incentiva o produtor a melhorar cada vez mais”, garante.

Segundo Mauricio, quando o primeiro produtor foi finalista no concurso nacional de qualidade, outros cafeicultores foram estimulados a produzirem cafés cada vez melhores. “Em 2019, começamos exportar diretamente nossos cafés, e não imaginávamos isso anos antes. Hoje temos toda uma estrutura para avaliar a qualidade dos nossos cafés, e conquistamos isso por meio do prêmio Fairtrade”, reforça.

Fonte: BRFair

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