Setor agropecuário cai 3,2% no segundo trimestre no Espírito Santo

Foto: Freepik

Dados divulgados pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) mostram que o setor agropecuário capixaba apresentou queda de 3,2% no segundo trimestre do ano quando comparado ao trimestre imediatamente anterior.

O dado faz parte do Indicador de Atividade Econômica do Espírito Santo (IAE-Findes) referente ao 2° trimestre de 2020. A presidente da Findes, Cris Samorini, e o economista-chefe da Federação e diretor executivo do Ideies, Marcelo Saintive, destacaram os dados da pesquisa para os meses de abril, maio e junho deste ano.

O IAE-Findes é uma estimativa trimestral do PIB do Espírito Santo, contemplando os diversos setores da economia. Em entrevista coletiva realizada essa semana, foi apresentado o resultado do 2° trimestre de 2020, abril, maio e junho, meses que marcaram o auge da evolução da pandemia de Covid-19. Nesse período, o IAE estimou um recuo de 12,2% da economia capixaba na passagem do 1° para o 2° trimestre do ano, na série livre de sazonalidade, resultado, principalmente, da retração de 9,9% do setor de serviços, que contribuiu com maior impacto na queda da atividade econômica do Estado (-6,3 pontos percentuais).

Apesar do resultado negativo do 2° trimestre, Cris Samorini e Marcelo Saintive destacam sobre os indícios da recuperação para as atividades econômicas. “Para algumas atividades a expectativa é de otimismo, devido à retomada, ainda que gradual, das atividades econômicas em boa parte do mundo. Como a indústria do Espírito santo é sensível ao cenário externo, um aumento de demanda por commodities industriais pode impactar positivamente a produção da indústria do estado, inclusive já podemos notar uma melhora nas exportações de minerais metálicos, por exemplo” disse Marcelo Saintive.

Tanto a atividade econômica do Espírito Santo quanto a do Brasil registraram quedas em torno de 12 % no 2° trimestre de 2020, na comparação com o 2° trimestre de 2019.  No Brasil, o PIB da agropecuária impediu queda ainda maior da economia, enquanto no Espírito Santo, todas as atividades apresentaram desempenho negativo nesta base de comparação. Boa parte do segundo trimestre do ano foi marcada pelas medidas de restrição à circulação que impactaram diretamente o setor de serviços (incluindo comércio) e, indiretamente, os demais setores, em especial a indústria.

Na ocasião, foi destacado sobre a importância das medidas de combate à pandemia, pois, a melhora do desempenho da atividade econômica do estado dependerá da evolução da pandemia de Covid-19, com o controle e arrefecimento do contágio.

Com a flexibilização e o retorno do funcionamento das atividades econômicas, a recuperação da economia deve ocorrer de forma gradual, na medida em que o volume de atividades e da demanda retorne a patamares pré-pandemia. Para que a retomada seja consistente é importante a continuidade da agenda de reformas estruturais e a consolidação fiscal.

A pesquisa mensal do IBGE da PIM-PF já divulgou que a produção industrial avançou 28,3% em julho em relação a junho. Embora não possamos concluir que esse crescimento seja o início de uma retomada, esse avanço mostra que o terceiro trimestre iniciou com uma produção industrial mais aquecida.

“O Espírito Santo está preparado para a retomada das atividades econômicas. Os investimentos em infraestrutura irão funcionar como o motor desta recuperação. O Estado reúne condições para sair na frente desta crise e impulsionar o seu desenvolvimento econômico. O Espírito Santo possui uma localização geográfica privilegiada: o estado está localizado em um raio de 1.200 km dos quatro principais centros urbanos e industriais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador. Essa localização estratégica é um benefício que pode dotar o estado de uma vocação ainda mais aguçada para o comércio exterior”, disse Cris Samorini.

Na ocasião, a presidente da Findes também citou a recuperação do setor moveleiro, na qual as admissões nos meses de junho e julho deste ano cresceram mais de 100% em relação ao mesmo período do ano passado, e as vendas também registram um crescimento acima do esperado. Ela citou também sobre a chocolates Garoto, que anunciou investimento de R$ 200 milhões na expansão e modernização da fábrica de Vila Velha. Além disso, a Biancogrês, com investimento de 149 milhões em expansão, o retorno da Samarco no segundo semestre deste ano e a fábrica Cacique com investimento de 240 milhões.

Fonte: Findes

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