Estudo mostra como antigos agricultores compensaram deficiência nutricional do milho há 6 mil anos
Foto: Freepik

O milho já fazia parte da alimentação de comunidades da Mesoamérica há cerca de 6.100 anos, mas sozinho não era suficiente para atender às necessidades nutricionais da população. Um estudo publicado na revista Science Advances mostra que esses grupos desenvolveram uma estratégia para contornar essa limitação: complementar a dieta com carne de animais que também consumiam milho.
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A pesquisa analisou restos humanos encontrados em sítios arqueológicos do sul de Belize, datados entre 6.100 e 1.100 anos antes do presente. Ao todo, foram estudados 39 indivíduos, além de amostras de plantas e de perus modernos alimentados com milho. A investigação utilizou análise isotópica de aminoácidos para reconstruir a alimentação dessas populações ao longo do tempo.
Segundo os pesquisadores, o milho é uma importante fonte de energia, mas apresenta baixo teor de proteína e concentrações reduzidas de lisina, um aminoácido essencial que o organismo humano não consegue produzir. Para atingir a quantidade diária necessária apenas com milho, um adulto de 68 quilos precisaria consumir mais de seis quilos do grão seco por dia, algo considerado inviável.
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Os resultados indicam que a solução encontrada foi incorporar à alimentação proteínas de origem animal. Os animais consumiam milho e, posteriormente, eram utilizados como alimento, permitindo que a lisina chegasse à dieta humana por meio da cadeia alimentar.
O estudo também identificou mudanças no padrão alimentar ao longo dos séculos. Entre 6.100 e 3.000 anos antes do presente, cerca de 22,8% da proteína consumida tinha origem em fontes classificadas como C4, grupo que inclui o milho. Depois desse período, essa participação aumentou para aproximadamente 79,6%, indicando uma presença cada vez maior de animais ligados ao cultivo do cereal.
Os pesquisadores utilizaram perus modernos alimentados com milho como referência para compreender esse processo. A hipótese apresentada não depende da existência de animais domesticados. Segundo o estudo, o manejo de espécies silvestres, o fornecimento de alimento ou a permanência desses animais próximos às áreas cultivadas já seriam suficientes para explicar o consumo de carne associada ao milho.
Outro aspecto destacado é que essa prática ocorreu cerca de quatro mil anos antes dos primeiros registros diretos de animais domesticados encontrados na região em estudos arqueológicos.
Apesar da crescente importância do milho, os autores ressaltam que ele não substituiu completamente outros alimentos. A dieta continuou baseada em diferentes recursos vegetais e animais, formando um sistema alimentar diversificado que pode ter contribuído para a expansão do cultivo do milho na Mesoamérica.
Fonte: Fabesp
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