País importou cerca de 85% dos fertilizantes utilizados na agricultura e deve passar de 49,1 milhões para 45,1 milhões de toneladas entregues ao mercado

O consumo de fertilizantes no Brasil deve recuar em 2026 após atingir recorde no ano anterior. Depois de 49,1 milhões de toneladas entregues aos produtores em 2025, a expectativa é de que o volume fique em 45,1 milhões de toneladas neste ano, uma redução de aproximadamente 8,1%.

A retração ocorre em um mercado considerado estratégico para a produção agrícola brasileira, já que o país depende das importações para atender a maior parte da demanda. Cerca de 85% dos fertilizantes utilizados no Brasil vêm do exterior.

A redução nas compras ocorre mesmo diante da importância dos fertilizantes para culturas como soja, milho, algodão e café. O produto representa um dos principais componentes do custo de produção e influencia diretamente as decisões dos produtores sobre área plantada, manejo e aplicação de nutrientes.

O recuo também ocorre após um período de forte crescimento na entrega de fertilizantes. O volume de 49,1 milhões de toneladas registrado em 2025 foi o maior já registrado no país, estabelecendo um novo patamar de consumo.

Com a previsão de 45,1 milhões de toneladas em 2026, o mercado deve voltar a um nível inferior ao registrado no ano passado. A diferença representa cerca de 4 milhões de toneladas.

A dependência das importações mantém o mercado brasileiro exposto às variações dos preços internacionais, do câmbio e dos custos de transporte. Mudanças nesses fatores podem alterar o preço dos fertilizantes e, consequentemente, o custo de produção no campo.

A produção nacional não é suficiente para atender à demanda interna, o que faz com que o abastecimento dependa do fluxo de produtos importados. Nesse cenário, a movimentação internacional de matérias-primas e fertilizantes formulados tem impacto direto sobre a disponibilidade e os preços no mercado brasileiro.

A redução projetada para 2026, portanto, não representa apenas uma mudança no volume comercializado. O movimento também mostra como o comportamento de compra dos produtores interfere em um mercado no qual o Brasil mantém elevada dependência externa.