Raça australiana é a mais nova opção para o mercado nacional de carne premium

Maciez, suculência e alto teor de marmoreio são is principais destaques de raças como a Murray Grey

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de carne bovina, com cerca de 10 milhões de toneladas previstas para 2021, e o maior exportador, com 2 milhões de toneladas comercializadas em 2020. Por outro lado, o país importou 50,8 mil toneladas de carnes consideradas premium, conforme dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Comparativamente, o volume importado é pequeno, mas o Brasil ainda não tem produção suficiente para suprir o mercado interno de carnes diferenciadas e de qualidade extra, em que características como maciez, suculência e sabor são consideradas essenciais. A pecuária brasileira está em constante evolução e trabalha para abastecer esse setor, que é formado por consumidores exigentes.

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O pecuarista gaúcho Luiz Carlos Ardenghy Sobrinho acredita que as importações são necessárias, porque a produção nacional abastece somente a metade da demanda. E vê oportunidades para raças como a Murray Grey, de origem australiana, e a sintética Greyman. “Nossos animais produzem a carne que todo mundo procura, sem excesso de gordura, que seja saborosa e ela sempre vai ser mais macia. O grande diferencial é que tem menos graxa subcutânea que a carne de outras raças e muito mais marmoreio, independente do corte. Então, a raça faz uma carne de primeiríssima”, explica.

Segundo o mestre assador Leonardo Albuquerque, os clientes estão ávidos por conhecimento, novas técnicas e novos sabores. “O sabor da carne Murray Grey é resultado da combinação entre a alimentação e a genética da raça. O que se nota é a grande capacidade de levar, para os cortes, as marcas da sua dieta, que no caso tem base natural no azevém, aveia e cevada. Essa experiência de sabores nas diferentes texturas dos cortes de dianteiro, traseiro e lombo é muito rica no Murray Grey”, garante o especialista

Com animais de excelente conformação, baixo teor de gordura intramuscular e 54% de rendimento de carne na carcaça, os criadores estão de olho nesse mercado especial e apostam na expansão da raça, que foi introduzida no Brasil, em 2008, pelo próprio Ardenghy, criador em Palmeira das Missões, no Noroeste do Rio Grande do Sul.
“Eu acredito na raça por tudo que eu vi na Argentina, que é um grande produtor, e importei para o Brasil. Temos um grande potencial para trabalhar com ela, não só aqui no Sul mas, principalmente, no Centro-Oeste e Norte brasileiro. Ela é uma melhoradora considerável, veio para ficar e agregar qualidade à carne brasileira, isso é certo”, afirma o também presidente da Associação Brasileira de Murray Grey e Greyman (ABMGG).

Resultado do cruzamento de touro Aberdeen Angus com vaca White Shorthorn, a Murray Grey começou na Austrália há quase 120 anos. Ao longo do tempo, surgiram também os cruzamentos, como os sintéticos Greyman (com Brahman), Nelogrey (Nelore), Heregrey (Hereford) e Senepol, que estão em expansão pelo território nacional e têm tolerância ao calor. “A raça já está em praticamente em todo o Brasil e vem se adaptando, perfeitamente, em todos os lugares. Temos muita procura de São Paulo e alguns parceiros estão produzindo Murray Grey PO, através da transferência de embrião”, detalha o dirigente da ABMGG.

Um case de sucesso a partir da transferência de embriões está localizado em Cabixi, município de Rondônia próximo à divisa com o Mato Grosso. O criatório de Greyman fornece animais para um dos maiores frigoríficos da região, um reconhecido polo da pecuária no Oeste brasileiro. Iniciado há oito anos, o trabalho é fruto da parceria do pecuarista Ardenghy com o criador Carlos Henrique Andrade de Carli, o zootecnista Vinícius Paiva da Silva e o veterinário Wilian Boni. No Acre, estão nascendo os primeiros Greyman 5/8, de cruzamentos iniciados há um ano, no início da pandemia, e as negociações com criadores paraenses estão adiantadas.

Em Rondônia, o gado Greyman recebe bonificação do frigorífico, a exemplo do que ocorre com as raças britânicas. A precocidade também é uma exigência dos compradores. “O produtor procura a precocidade porque traz um retorno mais rápido do investimento. Isso faz com que o consumidor receba uma carne de animais ainda jovens, pouco fibrosa e mais macia. O frigorífico também busca qualidade porque é o que consumidor quer, tanto para o churrasco quanto para a carne do dia a dia. Ele está muito mais exigente porque ele está pagando um preço alto pelo produto. Ele prefere pagar um pouco mais caro, desde que a carne seja de qualidade. Por isso, a nossa expectativa é de um bom crescimento de volume e ampliação do mercado”, completa Ardenghy.

Fonte: AgroUrbano

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