Vespa assassina deixa autoridades brasileiras em alerta

Fotos: Washington State Department of Agriculture via BBC

A vespa assassina pode matar um ser humano e dizimar colmeias de abelhas

Julio Huber e Bruno Faustino

Uma ameaça que pode chegar ao Brasil está deixando em alerta as autoridades sanitárias brasileiras. A notícia sobre o aparecimento de vespas gigantes asiáticas (Vespa mandarinia) nos Estados Unidos é vista com preocupação por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

“Existe sim a possíbilidade destas vespas chegarem por aqui”, alerta a pesquisadora Fábia de Mello Pereira, da Embrapa Meio-Norte, em Teresina, no Piauí. No Espírito Santo, técnicos do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), também acompanham as notícias sobre o inseto.

A vespa-mandarinia, também conhecida como “vespa assassina”, é a maior vespa do mundo. Tem mais de 50 milímetros de comprimento, uma envergadura de cerca de 75 milímetros, e um ferrão com 6 milímetros de comprido, que injeta uma grande quantidade de veneno potente. Ela é nativa do leste asiático temperado e tropical, sul da Ásia, sudeste da Ásia continental e partes do Extremo Oriente russo.

Capazes de dizimar uma colmeia de abelhas em poucas horas, essas vespas liberam uma toxina tão potente que pode causar a morte de uma pessoa que tiver levado várias picadas, mesmo se não for alérgica.

“No Japão, entre 30 e 50 pessoas morrem por ano (vítimas de múltiplas picadas da vespa gigante asiática)”, disse à BBC News Brasil a bióloga Jenni Cena, do Departamento de Agricultura do Estado de Washington (WSDA, na sigla em inglês).

O ferrão longo pode penetrar até trajes de proteção usados por apicultores

Sua picada é descrita como extremamente dolorosa, e o ferrão é tão longo que pode penetrar até mesmo o traje de proteção usado por apicultores. Mas, segundo Cena, elas só atacam humanos caso sejam provocadas ou se sintam ameaçadas.

Os insetos preferem viver em montanhas e florestas baixas, evitando quase completamente planícies e climas de alta altitude. Alimenta-se, principalmente, de insetos maiores, seiva de árvores e mel de colmeias de abelhas. E esta é, justamente, a grande preocupação dos pesquisadores brasileiros, segundo apurou a reportagem do Portal Revista Negócio Rural. Segundo pesquisadores dos Estados Unidos, cerca de 30 vespas podem dizimar uma colméia inteira em questão de horas.

“Eu venho acompanhando essas vespas porque, na China, fazem estragos com abelhas semelhantes as que criamos aqui. Ao contrário do que acontece com as abelhas cerana, mais conhecidas como ‘abelhas japonesas’, que, com a evolução, conseguem se defender do ataque das vespas, as abelhas africanizadas, presentes em todo o Brasil, não. E, se essas vespas chegarem aqui, vão fazer um estrago, pois temos abelhas silvestres, aquelas originalmente brasileiras, que não possuem mecanismos de defesa. Ao todo, tempos mais de duas mil espécies, sendo que mais de 300 são sem ferrão, entre elas, uma exclusiva do Espírito Santo, que são muito mais vulneráveis”, informou ao Portal Revista Negócio Rural, a pesquisadora da Embrapa, Fábia de Mello Pereira.

MISTÉRIO – A origem das vespas gigantes nos Estado Unidos ainda é um mistério, mas acredita-se que os insetos chegaram ao solo americano por meio de navios de carga vindos da China. Essa é a mesma hipótese para o aparecimento de uma vespa parecida na Europa. “Na França, houve uma invasão de uma vespa menor, agressiva, que entrou no país por meio de produtos comprados da China, em 2004, e, hoje, já está na Europa inteira e faz um estrago grande nos apiários”, completa Fábia.

As vespas medem até 5 centímetros e 75 milímetros de envergadura

Cada vespa gigante asiática é capaz de matar 40 abelhas. Em geral, o enxame trabalha muito rápido. Elas ficam na entrada da colmeia, decapitam as abelhas que vão entrando e as jogam no chão. Somente após dizimar a colmeia é que elas entram para pegar o alimento. “As vespas não atacam somente as abelhas dos apiários, mas também as abelhas silvestres, e aí você tem um impacto muito grande na biodiversidade, já que a vespa ataca outros insetos também”, relata Fábia.

BLOQUEIO – A Embrapa já entrou em contato com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para evitar que essa vespa chegue ao país. “O que está se discutindo é o que pode ser feito, diante da experiência de outros países da Europa, para que seja feito algo para impedir que esses insetos entrem no Brasil. Nos Estados Unidos, é recente o aparecimento das vespas. Elas chegaram no final do ano passado, mas as autoridades não sabem como. Esse tipo de informação é importante para saber onde bloquear”, finaliza a pesquisadora.

A Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), que é vinculado ao Ministério da Agricultura, é o órgão responsável por fazer o controle e a fiscalização de interesse da agropecuária. Essa vigilância ocorre em portos, aeroportos, postos de fronteira e aduanas especiais em todo o território nacional, e funciona como uma barreira para a entrada de pragas e agentes exóticos no país.

Idaf orienta que apicultores fiquem em alerta

Mesmo ainda não tendo chegado em solo brasileiro, os apicultores do Espírito Santo estão acompanhando as notícias sobre a vespa assassina. O presidente da Federação de Apicultores do Espírito Santo, Arno Wieringa, acredita que as abelhas africanizadas existentes no Brasil conseguirão se defender melhor que as abelhas dos Estados Unidos e da Europa.

Arno é apicultor e presidente da Federação no Espírito Santo

“Estamos acompanhando as notícias, e acreditamos que essas vespas devem sim chegar ao Brasil. Mas, acreditamos que os impactos sejam menores dos que estão ocorrendo nos Estados Unidos e Europa. Temos que manter nossos enxames saudáveis”, destacou.

A assessoria de imprensa do Idaf informou que os técnicos do órgão estão acompanhando as informações sobre os insetos, mas destaca que não há nenhum relato da ocorrência da vespa no Brasil. “De acordo com relatos em outros países, há sim uma preocupação de todos pela forma como a vespa se comporta ao entrar na colmeia. Ainda não há nenhum relato da presença da vespa no nosso país”, destacou.

ORIENTAÇÕES – Sobre a orientação aos apicultores, o Idaf destacou que será passada para os estados pelo Ministério da Agricultura, que é o órgão central e possui diversos especialistas e pesquisadores. “A Embrapa está dando suporte técnico ao Mapa no desenvolvimento de estratégias de prevenção e detecção do aparecimento da vespa. Nesse momento o que precisamos é estar alertas e vigilantes”, informou a assessoria do Idaf.

Entretanto, o órgão fiscalizador capixaba destaca que é preciso haver uma prevenção de qualquer doença que possa afetar os criadores de abelhas tanto as Apis quanto as abelhas sem ferrão. As orientações passadas pelo Idaf são:

  • Realizar e manter atualizado o cadastro do apiário/meliponário no Idaf;
  • Inspecionar regularmente as colméias;
  • Notificar imediatamente ao Idaf os casos suspeitos de ocorrência de pragas/doenças para investigação e confirmação;
  • Adotar a desinfecção de materiais, ferramentas e utensílios, principalmente os de uso comum, como formão e fumigadores, como uma medida preventiva de disseminação de doenças e biosseguridade;
  • Movimentar somente colmeias sadias e com Guia de Trânsito Animal (GTA) para evitar a disseminação de doenças;
  • Independente da finalidade, para trânsito inter ou intraestadual, é obrigatória a emissão e o acompanhamento da GTA.

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