Luta contra gafanhotos devoradores passa de 170 dias na Argentina

Em 11 de maio deste ano, o Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar (Senasa), da Argentina, emitiu o primeiro alerta de infestação de gafanhotos no país, após receber um comunicado do Serviço Nacional de Qualidade e Sanidade Vegetal e Semente (Senave), do Paraguai, de que a praga estava se locomovendo para a Argentina.

A informação era de que uma nuvem com milhões de insetos estavam voando para o sul em direção à fronteira com a Argentina. A praga finalmente entrou na Argentina em 21 de maio. Já são mais de 170 dias ininterruptos de combates. Em junho, autoridades do Brasil entraram em alerta, já que os gafanhotos, chamados de migrador sul-americano (Schistocerca cancellata), poderiam entrar em solo brasileiro, o que não ocorreu, mas eles chegaram a cerca de 80 quilômetros de Barra do Quaraí, no Rio Grande do Sul.

Até o final deste mês de novembro, foram feitas inscrições a 140 focos da peste e, desta forma, foram controladas sete nuvens que entraram na Argentina, graças ao trabalho articulado e permanente do Programa Nacional de Gafanhotos e Tucuras (PNLyT) da Agência em conjunto com o setor público (nacional, provincial, municipal) e o setor privado.

“Durante 2020, enfrentaremos a emergência fitossanitária dos gafanhotos no quadro de outra situação de emergência, como a pandemia da Covid-19. A articulação com os governos provinciais e municipais e os produtores foi e é fundamental para podermos levar a cabo as ações que visam conter a crise dos gafanhotos, cumprindo todos os protocolos estabelecidos e salvaguardando a saúde da equipe do Senasa”, explica Héctor Medina, coordenador do PNLyT.

Além disso, Medina afirma que, “apesar das complicações, conseguiu-se uma contenção da situação, deixando-se focos ativos apenas na região do NOA que estão sendo monitorados para serem controlados quando ocorrerem condições ideais”.

A complexidade que esta praga apresenta ao controlá-la é sempre mencionada. Devido à sua grande capacidade de voo, o intervalo de tempo em que os tratamentos podem ser executados é muito curto e geralmente ocorre em locais de difícil acesso.

As mangas enrolam ao longo do dia e caem tarde da noite. E somado às suas características próprias, é importante destacar que para realizá-las, o impacto que possa ter na área é avaliado cuidadosamente. É realizado previamente um levantamento da existência de cursos d’água, colmeias e população.

Neste período, as equipes de gafanhotos do Senasa realizaram o monitoramento de mais de 2.500 sítios nas províncias diretamente afetadas como Formosa, Chaco, Salta, Jujuy, Tucumán, Catamarca, La Rioja, Corrientes, Santiago del Estero, Entre Ríos , Santa Fé e Córdoba.

Da mesma forma, foram emitidos alertas e realizado um trabalho de conscientização sobre o problema dos gafanhotos em outras províncias como San Luis e Buenos Aires, que por estarem próximas às áreas afetadas, poderão eventualmente receber uma invasão da peste.

Além disso, segundo técnicos do Senasa, foram desenvolvidos seminários virtuais onde mais de 12 mil pessoas da Argentina e de outros países da região foram treinadas. Também foram realizadas reuniões tanto do Comitê Nacional de Crise quanto dos Comitês locais, ou seja, das províncias afetadas. Neles, segundo as orientações do PNLyT, as ações são definidas em conjunto com os governos provinciais e municipais e o setor privado.

Assim, diante da atual contingência e no marco da atual emergência fitossanitária, a Agência implantou constantemente equipamentos em solo, adquiriu insumos, ferramentas e equipamentos de controle e proteção de pessoal. Também contratou aplicações aéreas como complemento de ações semelhantes realizadas por produtores e governos provinciais. Isso permitiu que fosse registrado um baixo impacto da praga nas lavouras argentinas.

Os especialistas do Senasa destacam que é imprescindível que os produtores monitorem seus campos para detectar a presença da praga, façam os respectivos controles de acordo com a regulamentação em vigor e avisem para a detecção de gafanhotos, a fim de avançar no manejo dessa complexa praga.

A Agência Argentina realiza uma estratégia de vigilância permanente ao longo do ano e de gestão preventiva, para evitar surtos populacionais como o atual. Para melhorar o estado fitossanitário da região, o Senasa coordena um Plano Regional de Manejo da gafanhoto Sul-americano junto com a Bolívia e o Paraguai, já que melhorar o sistema de detecção e controle nos países vizinhos é fundamental para não receber novas invasões como está acontecendo nos últimos anos.

Durante 2020, foi fortalecido o vínculo com o Brasil e o Uruguai, que passou a se associar à prevenção da peste, diante da ameaça de sofrer também invasões de gafanhotos.

Os gafanhotos podem afetar diretamente a atividade agrícola e a pecuária indiretamente, alimentando-se de recursos forrageiros e causando danos à vegetação nativa.

Embora seja uma praga rural, torna-se urbana atingindo vilas e cidades. Porém, é preciso ressaltar que é um inseto que não afeta a saúde das pessoas ou dos animais, pois se alimenta apenas de matéria vegetal e não é vetor de qualquer tipo de doença.

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Fonte: Senasa

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